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26 de novembro de 2009 | N° 16167AlertaVoltar para a edição de hoje

“Estou agindo em meu nome”

José Fortunati (PDT) Vice-prefeito de Porto Alegre

O PMDB se encaminha para lançar Germano Rigotto ao Palácio Piratini – enfraquecendo os argumentos para uma parceria com o PDT. Se o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, fosse o nome preferencial no PMDB, os pedetistas herdariam a prefeitura da Capital. O vice-prefeito, José Fortunati (PDT), que assumiria o comando da cidade até o final de 2012 com uma possível renúncia de Fogaça, entrou em cena preventivamente para acalmar um terceiro partido: o PTB.

Trabalhando com a hipótese de que Fogaça seja o candidato, Fortunati foi ao encontro do presidente petebista, Luis Augusto Lara. O PTB ocupa secretarias importantes na gestão Fogaça e teme perder participação.


Em entrevista a Zero Hora, Fortunati explicou ontem o que o motivou a entrar nas negociações:

Zero Hora – Por que o senhor foi procurar o PTB enquanto o seu próprio partido não dá garantias de apoio à candidatura de José Fogaça?

José Fortunati –
Nas suas declarações, Lara (presidente do PTB) diz não ter segurança de que Fortunati, em caso de assumir a prefeitura, manterá o espaço do partido. Isso tem me incomodado. Tenho uma visão ética da política. Temos um compromisso firmado em 2008, que tem validade de quatro anos.

ZH – O que o senhor disse a ele?

Fortunati –
Existem várias possibilidades em 2010. Uma delas é que o prefeito venha a ser candidato. Se isso se confirmar, quero assumir um compromisso com o PTB. O espaço do PTB ficará intocado na prefeitura, como o dos demais. Posso dizer que, se o secretário X não corresponde às minhas expectativas, vou discutir com o PTB.

ZH – A ideia é acalmar o PTB?

Fortunati –
Não quero que esse seja o argumento. Se eles tiverem uma definição sobre qualquer outro caminho, candidatura própria, coligação com outros partidos, tudo bem. Só não quero que digam que a saída de Fogaça vai fragilizar o PTB na prefeitura, porque o Fortunati vai retirar cargos. Quero retirar de cena esse argumento.

ZH – Por que o senhor foi ao encontro do PTB e não o presidente estadual do PDT?

Fortunati
– Se por ventura Fogaça for candidato, o prefeito de Porto Alegre se chama José Fortunati. Quem tem de assumir esse compromisso é quem vai estar com a caneta na mão.

ZH – O senhor tenta convencer o PTB a apoiar Fogaça?

Fortunati
– Não falo sobre isso.

ZH – O senhor está atuando em causa própria?

Fortunati –
Estou fazendo uma coisa eticamente necessária. Tenho vida pública de 35 anos. A minha conduta tenta ser a mais coerente possível. Estou agindo em meu nome e em nome da minha história política. Não quero que digam que, se eu assumir a prefeitura, vou retaliar.

ZH– O senhor teme que a aliança PMDB-PDT não se concretize e Fogaça não renuncie ao mandato?

Fortunati–
Não. Isso é da vida. Estou tranquilo. Não tenho feito movimentos. O partido é maior. Vou respeitar a decisão partidária.

ZH – Como reduzir a tensão entre PMDB e PDT?

Fortunati –
É preciso diálogo. As pessoas estão precipitando o processo. As convenções ocorrem só em junho. Esse é o grande equívoco. Assim, começam os mal-entendidos.

ZH – Fogaça será ou não o candidato a governador?

Fortunati –
Prefiro não comentar.

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