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O PMDB se encaminha para lançar Germano Rigotto ao Palácio Piratini – enfraquecendo os argumentos para uma parceria com o PDT. Se o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, fosse o nome preferencial no PMDB, os pedetistas herdariam a prefeitura da Capital. O vice-prefeito, José Fortunati (PDT), que assumiria o comando da cidade até o final de 2012 com uma possível renúncia de Fogaça, entrou em cena preventivamente para acalmar um terceiro partido: o PTB.
Trabalhando com a hipótese de que Fogaça seja o candidato, Fortunati foi ao encontro do presidente petebista, Luis Augusto Lara. O PTB ocupa secretarias importantes na gestão Fogaça e teme perder participação.
Em entrevista a Zero Hora, Fortunati explicou ontem o que o motivou a entrar nas negociações:
Zero Hora – Por que o senhor foi procurar o PTB enquanto o seu próprio partido não dá garantias de apoio à candidatura de José
Fogaça?
José Fortunati – Nas suas declarações, Lara (presidente do PTB)
diz não ter segurança de que Fortunati, em caso de assumir a prefeitura, manterá o espaço do partido. Isso tem me incomodado. Tenho uma visão ética da política. Temos um compromisso firmado em 2008, que tem validade de quatro anos.
ZH – O que o senhor disse a ele?
Fortunati – Existem várias possibilidades em 2010. Uma delas é que o prefeito venha a ser candidato. Se isso se confirmar, quero assumir um compromisso com o PTB. O espaço do PTB ficará intocado na prefeitura, como o dos demais. Posso dizer que, se o secretário X não corresponde às minhas expectativas, vou discutir com o PTB.
ZH – A ideia é acalmar o PTB?
Fortunati – Não quero que esse seja o argumento. Se eles tiverem uma definição sobre qualquer outro caminho, candidatura própria, coligação com outros partidos, tudo bem. Só não quero que digam que a saída de Fogaça vai fragilizar o PTB na prefeitura, porque o
Fortunati vai retirar cargos. Quero retirar de cena esse argumento.
ZH – Por que o senhor foi ao encontro do PTB e não o presidente estadual do PDT?
Fortunati – Se por ventura Fogaça for candidato, o prefeito de Porto Alegre se chama José Fortunati. Quem tem de assumir esse compromisso é quem vai estar com a caneta na mão.
ZH – O senhor tenta convencer o PTB a apoiar Fogaça?
Fortunati – Não falo sobre isso.
ZH – O senhor está atuando em causa própria?
Fortunati – Estou fazendo uma coisa eticamente necessária. Tenho vida pública de 35 anos. A minha conduta tenta ser a mais coerente possível. Estou agindo em meu nome e em nome da minha história política. Não quero que digam que, se eu assumir a prefeitura, vou retaliar.
ZH– O senhor teme que a aliança PMDB-PDT não se concretize e Fogaça não renuncie ao mandato?
Fortunati– Não. Isso
é da vida. Estou tranquilo. Não tenho feito movimentos. O partido é maior. Vou respeitar a decisão partidária.
ZH –
Como reduzir a tensão entre PMDB e PDT?
Fortunati – É preciso diálogo. As pessoas estão precipitando o processo. As convenções ocorrem só em junho. Esse é o grande equívoco. Assim, começam os mal-entendidos.
ZH – Fogaça será ou não o candidato a governador?
Fortunati – Prefiro não comentar.
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