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26 de novembro de 2009 | N° 16167AlertaVoltar para a edição de hoje

Agora, PMDB quer Rigotto ao Piratini

Diante da indefinição do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, em concorrer ao governo, partido decidiu lançar ex-governador

Antes do Natal, a cúpula do PMDB gaúcho deve ungir Germano Rigotto como candidato ao Palácio Piratini. Enquanto o anúncio não vem, líderes peemedebistas farão uma série de cortejos ao ex-governador para reforçar seu nome e unir o partido em torno da candidatura.

No domingo, dirigentes chegaram à conclusão de que não valia a pena apostar no prefeito José Fogaça (PMDB), que deixou claro a falta de disposição em concorrer. A suposta facilidade de Fogaça em assegurar aliança com o PDT e o PTB, partidos que o sustentam na prefeitura, também não se confirmou. Outro fator que pesou na decisão do PMDB foi a posição do prefeito, que se negou veementemente a assumir a candidatura este ano. Fogaça não aceitava nem mesmo que interlocutores o lançassem ao Piratini.

Diante da falta de compromisso de petebistas e de pedetistas, Fogaça queria postergar a definição para abril do próximo ano, data-limite para renunciar ao cargo. Em caso de renúncia, o vice José Fortunati (PDT) assumiria a prefeitura.

A mudança de rumo está sendo conduzida pessoalmente pelo presidente estadual do PMDB, senador Pedro Simon. Indagado sobre o assunto, o secretário-geral do partido, Eliseu Padilha, diz que a sigla deve preservar a candidatura viável de Rigotto:

– Se Fogaça não quer e, mesmo se quisesse, não temos o PDT, cai o que era a grande vantagem do prefeito em relação ao Rigotto. Como não foi possível uma aliança logo, voltamos ao nosso candidato natural. Não há nenhuma mágoa.

O distanciamento entre PMDB e PDT ficou evidente ontem numa guerra de declarações entre dirigentes estaduais dos dois partidos.

– Fogaça tem de dar um sinal concreto de vida. Ninguém vai sair correndo atrás dele – afirmou o presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan.

Outro elemento de tensão é a simpatia de Bolzan pelo candidato do PT ao governo do Estado, Tarso Genro. Os dois assinaram nota oficial dando início às tratativas eleitorais. Ontem, Bolzan chegou a dizer que cabia ao PMDB resolver o impasse, porque a “candidatura é deles”. O dirigente também não gostou do que considera “soberba” dos peemedebistas, que apostaram no alinhamento automático.

– Se Fogaça tivesse interlocução com os partidos que o apoiam, seria mais fácil. Não está interessado – afirmou Bolzan, que nunca conversou com Fogaça sobre 2010.

No mesmo tom, o tesoureiro estadual do PMDB, Rospide Neto, respondeu às críticas:

– O PT deve exercer um fascínio muito grande sobre determinados líderes. Não sei o que o PT poderia oferecer ao PDT. Vaga de vice? A vice nós também oferecemos. Nós daríamos ainda a prefeitura de Porto Alegre.

A candidatura de Rigotto não empolga Bolzan:

– Rigotto é menos competitivo do que Fogaça. Nesse caso, há bem menos chances de nos aliarmos ao PMDB. Não é nada pessoal, mas é uma questão política.

marciele.brum@zerohora.com.br

MARCIELE BRUM
Quadro para 2010
PMDB
- Rigotto deverá ser lançado candidato até o Natal.
PDT
- Se Fogaça concorresse, apoiá-lo seria a tendência. Com Rigotto, o apoio ao PT não pode ser descartado. Há opção de candidatura própria.
PTB
- Lançou Luis Augusto Lara candidato, mas trabalha para construir alianças com PT ou PMDB.
PT
- Concorrerá com Tarso Genro.
PP
- Pode lançar candidato próprio ou apoiar Yeda Crusius (PSDB).
PSDB
- Deve lançar Yeda Crusius.
PSB
- Trabalha com a candidatura de Beto Albuquerque.
PSOL
- Lançou Pedro Ruas.

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