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Mais uma vez, o pedido de extradição do ex-militante de esquerda Cesare Battisti provoca tensão nas relações entre Brasil e Itália. Desta vez, o estopim foi uma entrevista do ministro da Justiça, Tarso Genro, que disse na quinta-feira haver “influências fascistas” em segmentos da sociedade e do governo italianos.
De parte do governo da Itália, a estratégia foi deliberadamente colocar panos quentes nas animosidades. Em outros momentos, autoridades do país haviam criticado Tarso, que concedeu o status de refugiado a Battisti. Desta vez, até porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não comunicou sua decisão, apenas o ministro da Defesa da Itália, Ignazio La Russa, respondeu às declarações em nome do governo:
– Ele (Tarso) é livre para expressar sua opinião, como nós fazemos aqui na Itália.
Outra autoridade italiana a se manifestar, desta vez do Legislativo, foi o presidente do Senado, Maurizio Gasparri. O senador, porém, não manteve a cautela
de La Russa.
– A amizade
entre a Itália e o Brasil é tal, que podemos ignorar mais uma vez a patetice dita pelo senhor Genro – replicou.
Simon diz que Tarso perdeu “oportunidade de ficar calado”
Ainda que os italianos tenham reagido de forma amena, no Congresso brasileiro Tarso foi alvejado por críticas. Senadores, especialmente da oposição, disseram temer um estremecimento das relações brasileiras com o país europeu. O senador José Agripino (DEM-RN), vice-líder do partido no Senado, considera que os riscos de crise estão elevados:
– O governo italiano vai entender essa declaração como um insulto a sua realidade. O fascismo foi varrido da Itália há muito tempo. O ministro não deveria ter insultado a Itália com esta pejorativa declaração.
Já o senador Pedro Simon (PMDB), considera que Tarso se excedeu ao mencionar a prática de fascismo na sociedade italiana.
– O ministro perdeu uma boa oportunidade de ficar calado. Ele
pode achar que Battisti deve ficar no Brasil, mas o presidente tem que
tomar a atitude correta e extraditá-lo, como determinou o STF – disse.
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