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O que é postura republicana? O que são, hoje, os ideais republicanos? A República instituiu-se em 1889, há exatos 120 anos, mas ainda hoje, na barafunda de não ter ideia do que propor ou fazer ante o inesperado, nossos mandões costumam soltar uma frase ribombante para emoldurar o próprio vazio: “Precisamos retomar os princípios republicanos”.
Parece, até, que o Império caiu horas atrás na volta da esquina e que Dom Pedro II aguarda no cais o navio para levá-lo à França. Ou que o caminho da República é desconhecido, sequer desbravado! Oca em si, a sentença torna-se mais vazia ainda pelo tom pernóstico daqueles que governam a política e preferem frases, nunca diagnósticos que levem à ação.
Certos parlamentares, ministros e congêneres adoram usá-la em algumas de suas variantes, convictos de que, assim, adquirem ares de intelectual. No fundo, exibem-se como pequenos imperadores.
Sim, porque nestes 120 anos de República, entrecortados por monarquias
ditatoriais ou presidentes imperiais, o
sonho de tornar-se Rei Absolutista continua a ser a grande tentação do cotidiano.
E não só nas instituições políticas, também na atividade privada. Aí, os oligopólios e monopólios se alastram todo dia. Estrangulam a livre-iniciativa dos pequenos no comércio, na indústria, na pecuária e na lavoura, implantando o poder imperial das megacorporações.
Tão avassalador é esse poder, que suplanta, até, o poder dos que pensam que mandam no poder, aí incluído o presidente da República, que preside e manda, mas governa junto com as grandes corporações. Ou até abaixo delas. Aquele poder visível de que desfrutam alguns partidos (por exemplo, o PMDB, onipresente em todos os governos, até quando é oposição) é apenas a migalha que sobrou dos restos do banquete.
O verdadeiro poder se esconde. Mesmo onipresente em nossas vidas, não se exibe. O exibicionismo fica para nossos mandões de plantão, que elegemos de quatro em quatro anos.
Ou aquelas
arremetidas públicas do presidente Lula da Silva,
sugerindo que o Tribunal de Contas não fiscalize e que a imprensa não denuncie, por acaso não são exibições de mandonismo imperial? Para o presidente, “a imprensa deve apenas informar”, ou seja, no máximo ser pasta gelatinosa quando não puder ser líquido que tome a forma do copo ou do urinol. A opinião pública já não tem opinião, sentenciou nosso imperador, e agora só quem opina é a propaganda!
Nossa governadora é mais modesta, mas não fica atrás no jeito imperial de mandar. Dona Yeda não tem as frases intempestivas de tom professoral do presidente. Ela passa as palavras no torno, mas sem polir o ímpeto dos calombos ou tapar as frestas. Parece, até, que ambos trocaram de profissão.
Derrubamos o Império e nos tornamos República para implantar um regime de igualdade de direitos, em que as pessoas não tivessem de calar-se ante o arbítrio ou a injustiça, viessem de onde viessem. Ou onde a imposição e a força dessem lugar ao diálogo e ao debate. Dito assim como escrevi, tudo
soa a solene
banalidade, de tanto ser repetida e jamais exercida. Cada vez mais, os que mandam só mandam. Os demais obedecem ou aceitam. Virou difícil, até, queixar-se ou sequer debater o contrato do telefone celular, novo Totem do novo século. Só há reis e imperadores na vida.
Com esses exemplos vindos de cima, até o síndico do edifício é capaz de tomar ares de imperador. Isso sem falar nos “azuizinhos”, nas esquinas de Porto Alegre...
Sinceramente, com republicanos desse tipo nem precisávamos de República.
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