clicRBS

Buscar

">ZERO HORA.com

none
busca
  •  | 
  • imprimir
  •  | 
  •  | 
  • letra A - | A +
09 de novembro de 2009 | N° 16150AlertaVoltar para a edição de hoje

Rock novo do Sul

Anos 90 são os novos 60 como referência sonora de bandas gaúchas

Porto Alegre ressoa numa outra frequência. Pelos bares, casas de shows e festas em geral, é possível notar que os outrora onipresentes terninhos estão dando lugar a despojados jeans e camisetas. Em vez de acordes redondos e melodiosos, o que se ouve são estalidos graves e todo tipo de distorção. Resumindo, sai Manchester e entra Seattle.

É como se, numa equação que foi sendo resolvida ao longo da última década, os 90 e todas as suas referências sonoras se transformassem nos novos 60 – principal influência musical para o rock produzido no Estado recentemente e que tem na Cachorro Grande seu principal produto de exportação.

Mas não se trata, a princípio, de uma cena. Sequer é uma novidade. Algumas bandas, como Viana Moog e ProzaK, têm quase 10 anos de bons serviços prestados ao underground rocker gaúcho. E mesmo as que estão debutando agora – caso da Loomer – são formadas por músicos que vieram amadurecendo nas sombras.

E todos concordam que não é de graça – embora se espantem com o retorno que têm recebido na forma de audição e download de músicas, convites para shows e público cativo.

– Não esperávamos nada quando montamos o nosso MySpace, mas em poucas semanas já tínhamos centenas de acessos – afirma Bruno Daitx, da ProzaK.

Stefano Fell, que integra dois dos principais projetos dessa onda, a Loomer e a Trasmission, é um dos seus maiores entusiastas. E fala com a propriedade de quem passou por bandas alternativas de Porto Alegre desde os anos 90, como a cultuada Dead Fingers:

– Não fazemos barulho por nada, esse é um trabalho que vem sendo desenvolvido há tempos, e que agora parece ter encontrado um público receptivo.

Público esse que foi sendo educado quase à revelia, em casas noturnas onde essa mesma turma discotecava músicas próprias e das bandas que os influenciavam. Aos poucos, clássicos ou faixas moderninhas confirmadas das pistas foram substituídas por representantes do rock sônico, antipop, de pegada ruidosa e pouco agradável a tímpanos sensíveis.

Nessa módica investida, a aposta era no som de Velvet Underground, Sonic Youth, Nirvana, Dinosaur Jr., Pixies, Queens of the Stone Age, My Bloody Valentine, entre outros, acostumando ouvidos indies ao curto-circuito que estava sendo preparado: uma aparentemente inevitável retomada dos anos 90.

Se vão tocar no rádio, compor line up de festival, ter clipe rodando na TV, encher a mala de prêmios e fazer fama e fortuna é impossível prever. Nem é por isso que eles estão nessa. Eles estão apontando direções, mostrando que é possível ir além do que está estabelecido, do que já foi testado, aprovado e copiado a exaustão.

Em comum, o sombrio, o peso, a distorção, espécie de resgate da arte de fazer barulho, empilhando camadas de riffs, contidos ou desesperados, em inglês ou português.

Iuri Freiberger, músico e produtor gaúcho radicado em Recife, sentencia:

– Acho que Seattle vem tímida, mas trará o novo pôr do sol que precisamos, aquele do fim do mundo, mesmo, lá dos cantos do Pacífico, onde o dia acaba.

Leia mais na página central

gustavo.brigatti@zerohora.com.br

GUSTAVO BRIGATTI
Cada um no seu quadrado
Esqueça os terninhos, coletes, calças retas e chapéus, herança visual que marcou uma geração inteira do rock no Rio Grande do Sul, inspirada em bandas clássicas dos anos 60, como Beatles e Kinks. A turma que se espelha em Pixies e My Bloody Valentine – para ficar em alguns exemplos de gente que marcou a sonoridade dos anos 90 – quer mais é plugar o pedal de distorção e tocar o mais rápido e alto possível, sem se preocupar com qualquer tipo de uniforme.
Até porque não há razão para tentar imitar o estilo de quem não se importava com o que vestia. Mesmo os camisetões de flanela, que acabaram popularizados junto com as bandas de Seattle, significavam mais desapego à vestimenta do que propriamente a construção de uma identidade visual. A ordem era fazer música. E depressa.

  •  | 
  • imprimir
  •  | 
  •  | 
  • letra A - | A +

Grupo RBSDúvidas Frequentes | Fale conosco | Anuncie - © 2000-2007 RBS Internet e Inovação - Todos os direitos reservados.