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Confira os profissionais que assinam os projetos da edição do Casa
Porto Alegre ressoa numa outra frequência. Pelos bares, casas de shows e festas em geral, é possível notar que os outrora onipresentes terninhos estão dando lugar a despojados jeans e camisetas. Em vez de acordes redondos e melodiosos, o que se ouve são estalidos graves e todo tipo de distorção. Resumindo, sai Manchester e entra Seattle.
É como se, numa equação que foi sendo resolvida ao longo da última década, os 90 e todas as suas referências sonoras se transformassem nos novos 60 – principal influência musical para o rock produzido no Estado recentemente e que tem na Cachorro Grande seu principal produto de exportação.
Mas não se trata, a princípio, de uma cena. Sequer é uma novidade. Algumas bandas, como Viana Moog e ProzaK, têm quase 10 anos de bons serviços prestados ao underground rocker gaúcho. E mesmo as que estão debutando agora – caso da Loomer – são formadas por músicos que vieram amadurecendo nas sombras.
E todos concordam que não é de
graça – embora se espantem com o
retorno que têm recebido na forma de audição e download de músicas, convites para shows e público cativo.
– Não esperávamos nada quando montamos o nosso MySpace, mas em poucas semanas já tínhamos centenas de acessos – afirma Bruno Daitx, da ProzaK.
Stefano Fell, que integra dois dos principais projetos dessa onda, a Loomer e a Trasmission, é um dos seus maiores entusiastas. E fala com a propriedade de quem passou por bandas alternativas de Porto Alegre desde os anos 90, como a cultuada Dead Fingers:
– Não fazemos barulho por nada, esse é um trabalho que vem sendo desenvolvido há tempos, e que agora parece ter encontrado um público receptivo.
Público esse que foi sendo educado quase à revelia, em casas noturnas onde essa mesma turma discotecava músicas próprias e das bandas que os influenciavam. Aos poucos, clássicos ou faixas moderninhas confirmadas das pistas foram substituídas por representantes do rock sônico, antipop, de pegada
ruidosa e pouco agradável a tímpanos
sensíveis.
Nessa módica investida, a aposta era no som de Velvet Underground, Sonic Youth, Nirvana, Dinosaur Jr., Pixies, Queens of the Stone Age, My Bloody Valentine, entre outros, acostumando ouvidos indies ao curto-circuito que estava sendo preparado: uma aparentemente inevitável retomada dos anos 90.
Se vão tocar no rádio, compor line up de festival, ter clipe rodando na TV, encher a mala de prêmios e fazer fama e fortuna é impossível prever. Nem é por isso que eles estão nessa. Eles estão apontando direções, mostrando que é possível ir além do que está estabelecido, do que já foi testado, aprovado e copiado a exaustão.
Em comum, o sombrio, o peso, a distorção, espécie de resgate da arte de fazer barulho, empilhando camadas de riffs, contidos ou desesperados, em inglês ou português.
Iuri Freiberger, músico e produtor gaúcho radicado em Recife, sentencia:
– Acho que Seattle vem tímida, mas trará o novo pôr do
sol que precisamos, aquele do fim do mundo, mesmo, lá dos
cantos do Pacífico, onde o dia acaba.
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gustavo.brigatti@zerohora.com.br
| Cada um no seu quadrado |
| Esqueça os terninhos, coletes, calças retas e chapéus, herança visual que marcou uma geração inteira do rock no Rio Grande do Sul, inspirada em bandas clássicas dos anos 60, como Beatles e Kinks. A turma que se espelha em Pixies e My Bloody Valentine para ficar em alguns exemplos de gente que marcou a sonoridade dos anos 90 quer mais é plugar o pedal de distorção e tocar o mais rápido e alto possível, sem se preocupar com qualquer tipo de uniforme. |
| Até porque não há razão para tentar imitar o estilo de quem não se importava com o que vestia. Mesmo os camisetões de flanela, que acabaram popularizados junto com as bandas de Seattle, significavam mais desapego à vestimenta do que propriamente a construção de uma identidade visual. A ordem era fazer música. E depressa. |
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