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05 de novembro de 2009 | N° 16146AlertaVoltar para a edição de hoje

O vigoroso funeral do Faith No More

Quem foi para o Pepsi On Stage na noite de terça-feira foi sabendo tratar-se de um funeral. E o palco decorado com cortinas de cetim vermelho, banda vestida formalmente e abertura em tom lúgubre, com o tema do filme Midnight Cowboy, não deixavam dúvidas. Sem qualquer possibilidade de sobrevida após a fim da turnê Second Coming, o Faith No More veio decidido a dar exatamente o que as 3,5 mil pessoas que foram ao seu encontro esperavam: tudo.

E tudo foi o que tiveram, com tintas de nostalgia tão brilhantes quanto o paletó que Mike Patton utilizou durante uma canção e meia, tempo necessário para provar que estava absolutamente em forma. A começar pela voz, ainda capaz de comandar da rascante From Out of Nowhere à jazzística Evidence com a mesma destreza.

Em pé, deitado, sentado ou rolando sobre o palco, gritando palavrões em português com e sem o auxílio de um megafone – sim, ele também manteve intacto seu quociente de insanidade –, o vocalista comandava uma banda afinada e com completo domínio do repertório. Nem a sofrível acústica da casa impediu, por exemplo, que as fabulosas notas graves do baixo de Billy Gould ressoassem diretamente no peito da plateia, especialmente em Land of Sunshine e Midlife Crisis.

Ambas, retiradas do cultuado Angel Dust (1992), foram cantadas como se ainda ontem figurassem nas 10 mais de uma FM popular. Passados quase 20 anos de sua explosão mundial (com The Real Thing, de 1989), outro disco base do espetáculo), o FNM dava a impressão de estar tão vivo e sólido como nunca. Parece irônico, no entanto, pensar que é justamente o respeitável e vigoroso repertório de hits um dos indícios mais fortes da iminente pá de cal.

Quem ajudou a encher metade do Pepsi On Stage – um feito para bandas adultas nos últimos tempos, ressalte-se – estava lá não por conta de um propagado revival dos anos 90, mas para matar a saudade ou reverenciar um elo importante da música pop moderna. Um elo da última geração de bandas que precisavam de toda uma carreira para se consolidar, e não uma ou duas faixas jogadas em um site. Um elo perdido.

gustavo.brigatti@zerohora.com.br

GUSTAVO BRIGATTI
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