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03 de novembro de 2009 | N° 16144AlertaVoltar para a edição de hoje

O estranho mundo de Faith No More

O Faith No More se apresenta hoje, a partir das 21h30min, em Porto Alegre, no Pepsi On Stage (mais detalhes no Guia hagah). Após um hiato de uma década, e quase duas desde o show do grupo na capital gaúcha, em 1991, Mike Patton e seus comparsas voltaram no início deste ano para uma turnê que pretende unir fãs antigos e novos. Para ambos, o grupo representa peso, experimentação, irreverência e ousadia, distribuídos em seis discos e muitas histórias – nem todas verdadeiras, é bom ressaltar. A seguir, listamos sete delas, ligadas por motivos e circunstâncias tão bizarras quanto elas próprias podem parecer. Embora façam total sentido no universo do Faith No More.

1. O maior hit

A canção Epic, segundo single do terceiro disco do grupo, The Real Thing (1989), foi a única música da banda a integrar um Top Ten nos EUA, alcançando o 9º lugar das paradas da Billboard – onde ficou por 21 semanas e foi responsável pela popularização do quinteto. O clipe de Epic foi um dos mais pedidos na MTV na época do seu lançamento e causou polêmica por mostrar, nos segundos finais, um peixinho dourado agonizando fora d’água. O FNM, no entanto, garantiu que o bicho, um presente da cantora islandesa Björk, nada sofreu. No vídeo, Patton, que estreava nos vocais do grupo naquele disco, aparece vestindo uma camisa de sua primeira banda, Mr. Bungle.

2. O homem-banda

Mr. Bungle foi apenas um dos muitos projetos de que o vocalista (e também multi-instrumentista) Mike Patton participou desde que se envolveu com música, ainda na adolescência. Além da Mr. Bungle e do FNM, Patton lançou discos solo e com os grupos Fantômas, Lovage, Peeping Tom e Tomahawk, trabalhou na trilha sonora dos filmes A Perfect Place (2008) e Crank: High Voltage (2009) e emprestou sua voz para meia dúzia de games e animações para a TV. Entre a interminável lista de parcerias, estão vários brasileiros, entre eles os metaleiros do Sepultura e a bossanovista Bebel Gilberto, que gravou a faixa Caipirinha no álbum de estreia da Peeping Tom. A amizade com o Brasil, no entanto, vem de outros e improváveis carnavais.

3. Coisa nossa

A amizade do FNM com o Brasil pode ser conferida na infame Caralho Voador, presente no quinto disco da banda, King for a Day... Fool for a Lifetime (1995). Diz a lenda que o nome da faixa foi inspirado no filme Os Sete Gatinhos (1980), por sua vez baseado na peça homônima de Nelson Rodrigues. No longa-metragem, uma personagem desenha órgãos sexuais masculinos com asas na parede do banheiro. Mais Brasil: o quinteto sampleou um aviso de voo do Aeroporto do Galeão, do Rio, na abertura da canção Crack Hitler, presente no premiado Angel Dust.

4. A obra-prima

Angel Dust, quarto disco do grupo e seu maior êxito comercial, vendeu mais de 3 milhões de cópias em todo o mundo. O CD, o primeiro feito totalmente com Mike Patton, é também um dos mais bem cotados entre a crítica. Angel Dust mostra o Faith No More dando continuidade às suas experimentações sonoras, que, embora francamente pesadas, não dispensam alguma delicadeza – principalmente nas covers Midnight Cowboy (do filme homônimo, de 1969) e Easy (dos Commodores). Esta, uma justa homenagem ao antigo grupo de Lionel Richie, que influenciaria de maneira definitiva o cruzamento inter-racial que marcou duas décadas do FNM.

5. Fusão de ritmos

Junto com o Living Colour e o Red Hot Chili Peppers, o FNM encabeçaria o cruzamento inter-racial na música pop entre os anos 1980 e 1990. A fusão de metal com funk e rap criou uma sonoridade em que um baixo carregadíssimo de malícia corria de mãos dadas com poderosas guitarras distorcidas. A equação perfeita de melodia, peso e velocidade foi tão bem-sucedida naquela época que, se nos anos 2000 o cenário acabou parcialmente dominado por uma praga chamada nu-metal, a culpa é deles também. Jonathan Davis, líder do Korn, afirmou inúmeras vezes ter se inspirado em duas bandas para criar a sua: Faith No More e Black Sabbath. Sendo que o grupo de Patton gravou seu primeiro cover justamente da trupe de Ozzy Osbourne, criando a tradição do FNM de gravar covers.

6. Cover de luxo

Gravar covers é uma tradição que acompanharia a banda dos seus últimos suspiros até a ressurreição. Inseridas na tracklist oficial ou lançadas como lados B de singles, as releituras do Faith No More sempre fizeram sucesso – muitas vezes até mais do que suas próprias composições. Na coletânea que encerrou a carreira do grupo, Who Cares a Lot?, o destaque ficou para a regravação da balada I Started a Joke, dos Bee Gees, enquanto no show que reuniu a banda novamente, este ano, a homenageada da vez foi Poker Face, de Lady Gaga. Nada, claro, que se compare com a poderosa cover de War Pigs, do Black Sabbath, presente no álbum divisor de águas do FNM por conter seu maior hit (volte ao número 1).

gustavo.brigatti@zerohora.com.br

GUSTAVO BRIGATTI
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