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02 de novembro de 2009 | N° 16143AlertaVoltar para a edição de hoje

Portão 8, parte 2

Do ponto de vista financeiro, foi até um bom resultado. Longe do título e fora do G-4 depois de perder por 1 a 0 para o errante Botafogo, o Inter caminha para economizar os R$ 500 mil de prêmio que daria ao técnico Mário Sérgio, caso ele conseguisse levar o time à Libertadores.

O problema é que reside aí o cerne da bronca da torcida, ávida para protestar contra a política de muitos negócios e poucas vitórias este ano. Por isso a chuva de moedas na porta do vestiário. Nos desgraçados anos 80 e 90 havia o antigo portão 8. Era para lá que acorriam os colorados a cada fiasco como o de ontem. O vestiário velho era por ali, ao lado. Vieram os tempos da Libertadores, do Mundial e, com a bonança, o fim do portão 8, substituído por um moderno vestiário. Ontem foi como nos velhos tempos. Encerrado o jogo, os torcedores protestaram contra a direção. E criaram um cenário como há muito não se via no Beira-Rio.

Em minutos, estava cercada a entrada da área de imprensa, onde o técnico Mário Sérgio, o presidente Vitorio Piffero e o vice de futebol Fernando Carvalho concediam entrevistas. Idem para a porta do vestiário, a 40 metros dali, por onde saem os jogadores. Viaturas do Batalhão de Operações Especiais (BOE), da Brigada Militar, em pouco tempo surgiram para ajudar os seguranças do Inter.

– Fomos mal. A ideia dos dois atacantes de área (Alecsandro e Alan Kardec) não funcionou – suspirou o vice de futebol Fernando Carvalho no vestiário, com o som dos protestos ao fundo, de trilha sonora. – Mário Sérgio continua. Não adianta mudar nada neste momento.

Até a cavalaria apareceu nos arredores, completando o cenário de praça de guerra. Funcionários do clube tinham que escoltar os jogadores até os seus carros. No trajeto, o goleiro Lauro ouviu toda sorte de xingamentos. Alguns correram atrás do carro em andamento, gritando palavrões.

Apesar das broncas com alguns jogadores, o alvo era a direção. E o fato escolhido para sintetizar a irritação era ver Alecsandro com a camisa 9 de Nilmar.

– Tenho 26 gols na temporada. Estou fazendo a minha parte. No Brasil é assim: até o Kaká foi vaiado no São Paulo. Todo atacante passa por isso em algum momento – defendeu-se Alecsandro.

Isoladamente, torcedores discursavam aos berros, alguns pedindo para o centroavante se acertar com o São Paulo em 2010, conforme disse o seu irmão Richarlyson, revelando o interesse do clube paulista. Mas a bronca, desta vez, era com a direção. O torcedor quer menos negócios e mais vitórias.

DIOGO OLIVIER
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