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A democratização da informação, a revolução dos computadores, a importância da propriedade intelectual e o papel dos educadores em um mundo digital. Esses foram apenas alguns dos assuntos abordados pelo filósofo Pierre Lévy na palestra que fez na última semana para um grupo de professores, alunos e jornalistas de Passo Fundo. O encontro integrou a Pré-jornada de Literatura, evento que antecede a 13ª edição da Jornada Nacional de Literatura, que neste ano será realizada de 26 a 30 de outubro.
O papel da educação em um mundo rodeado por novas tecnologias e diferentes meios de interação social foi uma das questões centrais abordadas por Lévy durante o encontro. Segundo ele, a função do professor em um espaço repleto de possibilidades de comunicação se torna ainda mais determinante a partir de agora. O grande desafio dos educadores será saber dominar estas ferramentas.
– Os professores têm que participar mais da vida cultural das comunidades. Eles precisam instigar a
inteligência coletiva e
incentivar a participação dos alunos nas discussões em sala de aula – disse.
Os novos formatos de produção de conteúdo foi outro tema de discussão no encontro. A mudança na disponibilização de determinados tipos de informação já teria começado, com influência direta na formação da cultura do mundo no futuro. Lévy afirma que a indústria dos livros, por exemplo, sofrerá drásticas alterações, com o fim das editoras.
-Não haverá mais barreiras. Todos serão produtores e consumidores de conteúdo. Com isso, a informação vai fluir melhor.
Quando questionado sobre o impasse da propriedade intelectual em um ambiente livre e coletivo, o filósofo é categórico e afirma que esse é um assunto que deve ser seriamente discutido. Ele acredita que a produção de trabalho na internet pode, e deve, ser remunerada. A grande dúvida é saber como isso pode ser feito. A possibilidade de regular estas redes de troca de informação são para Lévy um dos grandes desafios da
atualidade.
Cultura – Como
poderemos ter uma civilização de inteligência coletiva em um mundo ainda completamente dividido pela desigualdade social?
Pierre Lévy – O acesso aos meios é cada vez mais comum. Há 50 anos, por exemplo, não se tinha ideia do que poderia vir a ser a internet. Hoje, temos uma boa parcela da população conectada. Daqui a 15, 20 anos teremos a maior parte do planeta ligado na rede.
Cultura – Qual vai ser o papel da imprensa neste novo mundo que se desenha?
Lévy – O jornal tradicional está fadado à morte. Isso é uma questão de tempo. Os jornalistas vão trabalhar, cada vez mais, em meios online. Graças a isso, vai aumentar a competição para ver quem vai fazer a melhor notícia.
Cultura – O que muda com esta produção de conteúdo livre?
Lévy – Nós já estamos testemunhando isso nas diferentes ferramentas de interação social que temos (orkut, facebook,
twitter). Estes meios coletivos de informação disponíveis na web podem ser acessados
livremente. Isso democratiza o conteúdo. Mas também, de alguma forma, este mundo terá de ser regrado. Por exemplo, as pessoas que produzem conteúdos para blogs e afins. Elas terão de receber por este trabalho. Vão ter que ganhar. Neste ponto, a questão da propriedade intelectual terá de ser repensada.
Cultura – E como fica o livro neste mundo virtual?
Lévy – Eu penso que das pessoas que fazem o livro, em geral, os que vão desaparecer serão os editores, as pessoas que publicam. O mundo vai se dividir assim: um polo que produz e outro que consome. Produtores e consumidores vão interagir. Todos farão os dois papéis. Nós seremos escritores, editores e críticos. O fim destas divisões de funções vai certamente facilitar as coisas.
leandro.belles@zerohora.com.br
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