Confira os profissionais que assinam os projetos desta edição do caderno Casa&Cia
Material curinga está presente em áreas da Mostra Casa&Cia Praia
Concebida pelo governo gaúcho e pelas concessionárias como a salvação para o impasse que há anos envolve os pedágios no Rio Grande do Sul, a devolução das estradas federais à União não se consumou nos 30 dias previstos. A governadora Yeda Crusius escolheu o dia 20 de agosto para anunciar a denúncia dos convênios, seduzida pela ideia de o prazo final coincidir com o 20 de setembro. Seria, se tudo desse certo, a libertação no dia do aniversário da Revolução Farroupilha.
Faltou, no entanto, combinar com os russos: o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Os dois simplesmente ignoraram a interpretação de que, passados 30 dias da comunicação do rompimento, a gestão dos contratos de pedágios passaria automaticamente para a Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT).
Contrário à devolução das estradas federais com o passivo alegado pelas concessionárias e, de inhapa, um punhado de trechos estaduais, Nascimento disse que os estudos técnicos ainda não foram concluídos por seu ministério. E não demonstrou qualquer pressa na conclusão. Questionada, a ministra Dilma repetiu os argumentos do colega dos Transportes e comparou a proposta do governo gaúcho à situação de alguém que, tendo entregue um carro novo a determinada pessoa, recebe o veículo anos depois sem as rodas e sem a direção.
Diante da impossibilidade de conciliar as diferenças, a Justiça acabará tendo de arbitrar, mas a preocupação dos gaúchos é imediata: quem vai fiscalizar os pedágios a partir de amanhã? A quem recorrer se as empresas não fizerem a sua parte?

A crise que atingiu o Tribunal de Contas do Estado com as denúncias contra o ex-presidente João Luiz Vargas não mudou os hábitos de um grupo de velhinhos apaixonados pelo tribunal.
Aposentados, cinco ex-membros do TCE se reúnem todas as terças-feiras na sede da instituição para matar a saudade, tomar cafezinho e, com frequência, acompanhar as sessões. Eram sete, mas dois morreram.
Há 20 anos fazemos isso por puro saudosismo. Eram bons aqueles tempos lembra o ex-conselheiro Eurico Trindade Neves, 92 anos, que por duas vezes presidiu o tribunal.
Algir Lorenzon, o conselheiro que sucedeu a Eurico, costuma pedir a opinião da velha guarda sobre os rumos atuais do TCE.
Na foto, Lorenzon posa ao lado de Ivo Sefton de Azevedo, Camilo Moreira, Arthur Bacchini, Fernando Gay da Fonseca e Eurico.
O deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM) deve reaparecer rejuvenescido nos próximos dias. Em uma cirurgia plástica, ele retirou o excesso de pele das pálpebras superiores segundo ele, um problema de família. Onyx diz que a pele cresce, cai sobre os olhos e prejudica a visão.
O deputado ainda retirou três lipomas, tumores sem risco à saúde formados por acúmulo de gordura.

Escolhida pelos leitores de Zero Hora como prioridade, a duplicação da BR 386 no trecho Estrela-Tabaí foi solenemente ignorada no pacote de bondades rodoviárias que o presidente Lula e os ministros Dilma Rousseff e Alfredo Nacimento anunciaram na visita ao Rio Grande do Sul.
Questionado, Nascimento jogou água fria nos sonhos das comunidades que sonham com a duplicação da BR-386 para reduzir o número de acidentes.
Disse que só promete uma obra quando sabe que pode cumprir. E que não é o caso da BR-386, infelizmente.
O governo tinha prometido incluir a obra no PAC, mas recuou.
Nesta segunda-feira faz um mês que o sem-terra Elton Brum da Silva foi morto a tiros na desocupação da Fazenda Southall, em São Gabriel, por um soldado da Brigada Militar. Morto pelas costas, sem qualquer chance de defesa.
Estranhamente, a Brigada Militar e o Ministério Público mantêm segredo sobre o nome do soldado, identificado cinco dias depois do crime.
Agora que o inquérito está para ser concluído e encaminhado à Justiça, com o indiciamento do autor dos disparos, o mistério terá de ser desfeito. Não há explicação plausível para a demora.
O silêncio só se mantém porque não há pressão da sociedade pela divulgação do nome do rapaz. O morto era um joão-ninguém e não falta quem aplauda a violência contra os sem-terra.
Se não fosse a proibição legal de filhos de governadores disputarem eleições enquanto pai ou mãe estão no cargo, uma candidatura seria a explicação mais lógica para a superexposição de Tarsila Crusius no site do Palácio Piratini.
De 1º de agosto até agora, 48 fotos da presidente do Comitê de Ação Solidária foram publicadas na página do governo. Um único dia, 22 de agosto, registra 15 retratos de Tarsila, entregando kits escolares em Frederico Westphalen.
O secretário da Justiça e Desenvolvimento Social, Fernando Schüler, que atua em área afim, só teve duas fotos publicadas no site no período uma delas ao lado de Tarsila. Daniel Andrade, secretário de Infraestrutura, aparece oito vezes.
As concessionárias preferem negociar com o governo federal porque entendem que no Rio Grande do Sul se tornou impossível qualquer discussão racional sobre pedágios.
Os primeiros números indicam que, em setembro, a arrecadação de ICMS ficará abaixo do previsto, o que aumenta a preocupação com o 13º salário dos servidores.