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Sem a presença mínima de deputados exigida para convocar réus e testemunhas, quatro dos 12 titulares da CPI da Corrupção começaram ontem a divulgar trechos de documentos que supostamente comprometem o governo Yeda Crusius. A estratégia da oposição é forçar aliados a desistirem de esvaziar a comissão alegando que o plano de trabalho não foi votado.
Na segunda-feira será realizada nova sessão às 14h no plenarinho do Legislativo. Ao meio dia, a presidente da comissão, Stela Farias (PT), começou a sessão e colocou à disposição dos demais parlamentares o conteúdo da ação civil pública de improbidade administrativa do Ministério Público Federal (MPF). Na sequência, leu parte das 50 páginas do depoimento do consultor Lair Ferst concedido ao MPF em 23 de janeiro. Nos últimos dias, a petista tem dito que o objetivo é mostrar fatos graves de forma que oito integrantes da comissão aliados de Yeda voltem a dar quórum às sessões. A avaliação é de que os governistas não devem deixar por muito tempo a
oposição
ficar discursando contra Yeda em meio ao silêncio da base.
– Não é por acaso o boicote. O governo quer tirar a legitimidade da CPI – disse Daniel Bordignon (PT).
No trecho do depoimento lido por Stela ontem, Lair dá detalhes do suposto esquema de desvio de pelo menos R$ 44 milhões do Detran e da divisão da propina: “Chico Fraga me disse para mim, que levou uma planilha para a governadora, mostrou para a governadora, e quem determinou os percentuais foi ela. Os valores foi ela que determinou. E o Chico Fraga disse o seguinte, olha para ti ela não botou nada (...). Te acerta com a governadora”.
Na sessão, também ficou definido que parlamentares irão convidar pessoas que se disponham a participar da CPI. Por sugestão de Gilmar Sossella (PDT), o primeiro deve ser Lair. Os ex-presidentes do Detran Sérgio Buchmann e Estella Maris Simon e o vice-governador Paulo Feijó também devem ser convidados. No entendimento dos oposicionistas, não é necessário votar os
convites, mas há controvérsias
jurídicas. Stela garantiu os depoimentos mesmo que a reunião tenha apenas quatro participantes.
Às 14h de hoje, a presidente se reunirá com integrantes da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF), que elaboraram a ação de improbidade contra Yeda. O objetivo é garantir a colaboração dos procuradores.
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