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Pelo que significam em termos de trauma e ruptura, ausências podem ser mais reveladoras do que a presença constante. É da questão de uma ausência que a escritora Carol Bensimon, 26 anos, entretece a moldura de seu primeiro romance: Sinuca Embaixo d’Água, que ela autografa hoje às 19h na Livraria Cultura.
Este segundo livro da autora gaúcha marca também sua transição para uma editora de porte nacional, a Companhia das Letras, que chegou ao trabalho de Carol por meio de sua estreia, o elogiado Pó de Parede (volume entre o conto e a novela publicado em 2008 pela Não Editora). A trama de Sinuca Embaixo d’Água começa quando seu episódio crucial já aconteceu: o acidente de trânsito no qual morreu a jovem e cativante Antônia. É ela quem domina a narrativa do livro, por meio das recordações e interrogações que os outros personagens se fazem para entender sua ausência – muitos deles frequentadores de um bar à beira d’água com sinuca, também crucial para a narrativa. Embora nem a cidade nem o bar
do livro
sejam nomeados, a descrição é claramente inspirada no Timbuka, bar à beira do Guaíba demolido em 2008 pela prefeitura.
– Estava morando em Paris quando soube que o bar fecharia, e como muita gente fiquei triste, em um primeiro momento. Depois me dei conta que aquilo poderia ser aproveitado no livro com mais um elemento dessa perda que os personagens sentem – conta a autora, que está em férias no Brasil mas vive hoje em Paris, onde cursa doutorado em Letras na Sorbonne.
O projeto do livro já havia sido contemplado no início de 2008 com uma bolsa Funarte de Criação Literária. Como outros exemplos da ficcão recente produzida no Brasil, o romance nasce de um casamento entre produção artística e reflexão teórica. A estrutura de “protagonista ausente” de Sinuca Embaixo d’Água foi desenvolvida ao mesmo tempo em que Carol pesquisava o assunto em sua dissertação de mestrado em Letras, pela UFRGS.
Mas, como acontece com outros exemplares do gênero, como A Chave
de Casa, de Tatiana Salem Levy, ou
A Parede no Escuro, do gaúcho Altair Martins, a reflexão acadêmica foi uma ferramenta de construção, mas não determinou o resultado da prosa, que é literária e tem autonomia artística.
– A reflexão acadêmica é uma coisa que me deixa muito mais consciente na hora de escrever, e me traz várias leituras que acrescentam complexidade ao texto. É um pouco o interesse de analisar a construção, o que fazer para provocar determinados efeitos – diz Carol.
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