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Num dia marcado pela disputa sobre quem decidirá suas regras de funcionamento, a CPI da Corrupção foi instalada em solenidade rápida às 17h17min de ontem na Assembleia Legislativa. Enquanto os governistas preparam a agenda de atividades a ser definida até a segunda sessão, a presidente da comissão, Stela Farias (PT), quer que a investigação comece pela apuração de suspeitas no Detran, que já foi alvo de CPI em 2008.
A estratégia da oposição é começar por um tema sobre o qual ainda não há conclusões oficiais para evitar que aliados desgastem a comissão dizendo que não haverá novidades. Gravações do ex-presidente do Detran Flavio Vaz Netto, são consideradas na ação do Ministério Público Federal (MPF) como indícios de que a governadora Yeda Crusius teria recebido propina oriunda do esquema que desviou R$ 44 milhões da autarquia. A ideia dos opositores é investigar a suposta conexão entre a fraude na autarquia e a compra da casa de Yeda, sem entrar em denúncias de caixa 2 na campanha de 2006.
A avaliação
é que a investigação deve começar pela gestão da ex-presidente do órgão Estella Maris Simon.
Na tarde de ontem, os oposicionistas protocolaram 11 requerimentos para buscar documentos e convocar depoentes. Além de chamar Estella e o ex-presidente Sérgio Buchmann, que denunciaram supostas irregularidades na autarquia, constam nomes de pessoas ligadas à compra da casa de Yeda, como o vendedor Eduardo Laranja e Delacy Martini, pai do ex-secretário-geral de Governo Delson Martini, que teria comprado um apartamento da governadora em Capão da Canoa. Conforme Yeda, os valores recebidos foram utilizados para adquirir a casa de R$ 750 mil na Rua Araruama, em Porto Alegre.
Como tem apenas quatro dos 12 votos da comissão, os opositores tentam conseguir áudios dos suspeitos que devem ser ouvidos na comissão.
– Eles (governistas) estão com a estratégia de obstrução. Estamos tentando furar esse bloqueio com a força dos fatos. Do nosso ponto de vista, a investigação
será tão forte que não teremos só
quatro a oito. Não precisa votação para ouvir áudio – afirmou Stela Farias (PT), empossada como presidente da CPI.
Como vice-presidente da comissão, foi definido Gilberto Capoani, líder da bancada do PMDB. Confirmado como relator da CPI, Coffy Rodrigues (PSDB) fez um requerimento pedindo a adoção de regras na comissão ontem (veja na página ao lado).
Em um momento de constrangimento ontem, a oposição indicou o nome de Luciano Azevedo (PPS) como candidato a relator, mas o próprio parlamentar não votou em si. Ao pedir a palavra, justificou que seguiria um acordo entre integrantes da base e votou em Coffy.
Em discurso de cinco minutos, Stela defendeu acordo sobre número de sessões, tomada de depoimentos e andamento dos trabalhos.
Apesar de o clima na instalação da CPI da Corrupção ter sido de cordialidade na tarde de ontem, os próximos meses serão marcados por um duro embate entre deputados do governo e da oposição. Na tentativa de
provar que irregularidades foram cometidas com o
suposto conhecimento da governadora, os oposicionistas tentarão ouvir pessoas próximas de Yeda. Já os aliados estão decididos a barrar qualquer depoimento que venha a prejudicar a imagem do governo
| Os primeiros da lista |
| Entre as 20 primeiras pessoas que a oposição propõe ouvir estão: |
| - Otaviano Brenner de Moraes, ex-secretário de Transparência |
| - Carlos Ubiratan dos Santos, ex-presidente do Detran |
| - Delson Martini, ex-secretário-geral de Governo |
| - Estella Maris Simon, ex-presidente do Detran |
| - Flavio Vaz Netto, ex-presidente do Detran |
| - Francisco Fraga, ex-secretário de Governo de Canoas |
| - Pedro Ruas, vereador do PSOL de Porto Alegre |
| - Ricardo Lied, chefe de gabinete de Yeda Crusius |
| - Sérgio Buchmann, ex-presidente do Detran |
| - Walna Vilarins Meneses, assessora de Yeda Crusius |
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