Confira os profissionais que assinam os projetos desta edição do caderno Casa&Cia
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O sinal de alerta contra a gripe A está mais forte. Com a confirmação de 11 novas mortes, na tarde de sábado, o Rio Grande do Sul chega a 44 óbitos, o que alça o Estado a uma taxa de mortalidade superior a do México, onde a epidemia eclodiu no fim de abril, e dos Estados Unidos.
Os novos casos divulgados pela Secretaria Estadual da Saúde ocorreram entre 22 de julho e 3 de agosto, em oito municípios. Com 44 óbitos, o Estado atinge a taxa de mortalidade de 0,4 por 100 mil habitantes. Devido às diferenças populacionais, o índice é utilizado para avaliar a disseminação do vírus em países e territórios.
No México, o índice é de 0,13 por 100 mil habitantes, quase o mesmo dos Estados Unidos – 0,14. Argentina e Chile, com índices de 0,84 e 0,6, respectivamente, estão em situação pior do que a gaúcha. Entre os especialistas que criticam a forma de enfrentamento ao vírus adotada no Estado e no país, o principal ponto de insatisfação é a distribuição do Tamiflu, o medicamento
capaz de deter o avanço do
vírus no organismo se administrado até 48 horas após o início dos sintomas.
A infectologista Nancy Bellei, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pós-doutora no vírus influenza, defende que o medicamento seja oferecido a todas as pessoas que apresentem sintomas da nova gripe.
– Não temos bola de cristal para saber no primeiro dia quais casos evoluirão para grave. Se só tratarmos os graves, corremos o risco de aumentar o número de óbitos – diz ela.
Para Nancy, um problema é a ocupação de leitos de UTI por pessoas gripadas, que acaba privando pacientes de outras enfermidades de tratamento. É um efeito secundário, segundo ela, do não tratamento precoce dos casos suspeitos.
Diretor médico do Hospital São Vicente de Paulo, de Passo Fundo, o clínico Julio Stobbe também considera fundamental a medicação com Tamiflu para os pacientes suspeitos de terem contraído a gripe A. Na unidade, as regras do Ministério da Saúde quanto à
distribuição do medicamento deixaram de ser
seguidas.
Pelo protocolo federal, o Tamiflu deve ser administrado em pacientes em estado grave ou de grupo de risco. Mas os médicos do São Vicente de Paulo decidiram ministrar o remédio a todos os pacientes que apresentem alteração pulmonar perceptível em exame físico e radiológico, mesmo sem disfunção respiratória grave.
– Faz 16 dias que não temos casos de internação grave em Passo Fundo, e acho que tem relação com essa mudança – afirma Stobbe.
Para o médico, a população está sendo mal orientada sobre os riscos da doença. Ele avalia que, no momento em que se diz que a nova gripe é igual à comum, as pessoas deixam de buscar atendimento e ficam em casa. O diretor do Centro Estadual de Vigilância em Saúde, Francisco Paz, contesta as críticas. Segundo ele, não há restrição ao Tamiflu. O medicamento está sendo ministrado a quem integra os grupos de risco para a doença.
– Apesar disso, não há estudos sobre a real eficácia do Tamiflu.
Alguns pacientes, mesmo usando, estão evoluindo
para casos graves – pondera.
Secretário Osmar Terra rebate médico que criticou política
O secretário estadual da Saúde, Osmar Terra, garante que gestantes, obesos, idosos, crianças com menos de dois anos, diabéticos e hipertensos estão recebendo o medicamento “desde o primeiro dia de febre”.
– Hoje, temos a estimativa de 45 mil casos. Mesmo que todos tomassem, não faltará remédio – diz o secretário.
Com pico de registros de gripe A previsto para a terceira semana deste mês, Terra analisa que a proximidade com Argentina, Uruguai e Chile explica a alta taxa de mortalidade gaúcha:
– Estamos do lado dos países que mais têm problemas, sem nenhuma restrição de trânsito na fronteira.
Terra rebateu artigo do cardiologista Luís Beck da Silva Neto, publicado ontem em Zero Hora (veja entrevista ao lado). No texto, o médico diz que há falhas na política do governo.
–Ele
tem uma visão desinformada da situação, parece que ouviu o galo cantar e não sabe onde – diz
Terra.
ZERO HORA.com
Site especial contabiliza os casos de gripe A no Estado e no Brasil, dá dicas de prevenção e ensina as diferenças entre a gripe comum e a H1N1
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