Confira os profissionais que assinam os projetos desta edição do caderno Casa&Cia
Material curinga está presente em áreas da Mostra Casa&Cia Praia

Em meio a escândalos, à epidemia de gripe A e ao frio intenso que atinge o Rio Grande, passou sem visibilidade um assunto relevante para os leitores e tema de reflexão constante para quem lida com o jornalismo: o buraco da Avenida Independência.
Tão estridente como o saque aos cofres públicos ou o temor pelo novo vírus, um barulho intermitente havia se tornado o principal problema para um grupo de moradores da Capital, nas proximidades do número 972 da Independência, defronte ao antigo Teatro da Ospa. Aberto por uma operadora de telefonia celular para consertos na rede de fibra óptica em meados de julho, o buraco foi mal vedado durante os trabalhos de reparo com uma chapa de metal deslocada da embocadura natural.
Cada roda de veículo por cima da placa emitia um solfejo seco que ecoava pela região. À noite, com a redução natural dos decibéis urbanos, a placa assumia a proporção de uma orquestra desafinada nos tímpanos de quem tentava descansar. Centenas ficaram insones, segundo relatos dos moradores, e a dor de cabeça se espalhou com a velocidade de uma pandemia na região.
Tenho dormido bem menos, cheguei a tomar remédio para ajudar no sono disse à época o corretor de imóveis Eduardo Serrano, vizinho da cratera em dolby stereo.
Por mais que se ministre nas faculdades de Comunicação que Buraco de Rua é uma das mais nobres pautas do jornalismo, tem rareado o número de bons profissionais dispostos a reportá-los. O fotógrafo Ronaldo Bernardi, 46 anos de vida e 34 (sic) de ZH, sabe que a frase não é um lugar-comum, mas uma verdade para repórteres com pedigree. Mesmo com a estante de casa abarrotada de troféus, ele hoje se dedica com energia e empolgação à bem-sucedida seção Pelas Ruas, sucesso de audiência que acolhe sugestões de pautas do dia a dia pelo telefone (51) 9981-9891.
Ao enxergar valor nas ligações e e-mails que denunciavam a barulheira da Independência, Bernardi acabou gerando uma notícia prosaica com 9 mil acessos em zerohora.com e um vídeo com 3 mil visualizações. O ruído incômodo começava, ali, a silenciar. Responsável pela tampa, a empresa Oi se apressou em um paliativo para o transtorno, no dia seguinte à publicação da primeira reportagem: aparas de borracha entre o metal e o asfalto para amenizar o barulho. Ao mesmo tempo, a EPTC, alertada por ZH, desviou o trânsito com cones para permitir o sono dos moradores. O conserto seria iniciado pela operadora dois dias depois para, na quinta-feira, terminar de alinhar o asfalto à tampa.
Ao se ocupar também de questões aparentemente menores, mas grandiosas para as comunidades envolvidas, os jornais e sites recuperam uma tradição do passado que vem iluminando o jornalismo do presente: o hiperlocalismo.
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Não tabulamos a imensa quantidade de e-mails e telefonemas de leitores encantados com as reformas gráficas implantadas em ZH desde 27 de junho, mas em nome do aprimoramento constante guardamos as correspondências que sugeriam mudanças na posição do colunista da página 2, hoje colocados bem à esquerda. Assim, disposta a auscultar observações procedentes, ZH muda a partir desta segunda-feira a posição de Verissimo, Scliar, Martha, David, Claudia Laitano e esta Carta dominical para o alto da mesma página 2, agora em formato horizontal.