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26 de julho de 2009 | N° 16043AlertaVoltar para a edição de hoje

As Meninas e as meninas

Fazia frio na quinta-feira, quando, munidas de casaco, capuz e as respectivas mães, as colegas de aula Joana Celeste e Júlia Coelho, ambas de sete anos, esperavam pacientemente a hora de entrar no Margs. Foi então que viram, no alto da parede do museu, um pôster de Rosa e Azul. Olhando de longe, as meninas de Porto Alegre não se empolgaram com As Meninas de Renoir.

Cerca de 20 minutos depois, um novo encontro, agora cara a cara.

– Parecem de verdade – comentou Júlia.

– Elas ficam bem bonitas de pertinho – avaliou Joana. – Parecem com colegas da minha escola antiga. A loirinha parece a Roberta.

Júlia e Joana também concordaram que as meninas de Renoir, antes de posar para o quadro, deviam estar numa festa – daí estarem tão arrumadas. A dupla também gostou de A Creche, de Henry Geoffroy.

– Eu seria aquele bebê ali, no colo – apontou Joana.

Ao fim, escolheram em que parede da casa pendurariam esses dois quadros. E então, ainda diante das Meninas, chegaram a um consenso importante: Júlia era Rosa, Joana, Azul.

Tiradas de mestres
- MONET era um adepto da pintura que retratava cenas ao ar livre. Sobretudo de paisagens em que houvesse água. Chegou a montar seu estúdio em um barco sobre o Sena e ali desenvolveu a técnica de reproduzir as impressões que a luz causava ao incidir na superfície do rio. Essa maestria pode ser admirada no quadro exposto no Margs, A Canoa sobre o Epte, de 1890.
- MODIGLIANI pintava retratos. Um dos que estão expostos no Margs é o Retrato de Léopold Zborowski, um polonês a quem o artista chamava de Zbo. Foi esse Zbo um dos grandes responsáveis pelo sucesso de Modigliani. Enquanto o artista pintava ou bebia, e ele pintava muito e bebia ainda mais, Zbo saía com seus quadros debaixo do braço, procurava os marchands de Paris e tentava convencê-los de que valia a pena investir na obra de seu amigo italiano.
- PICASSO sempre aplicava a mesma cantada nas mulheres. Com voz cava, ele ronronava:
– Sabia que a pintei antes mesmo de conhecê-la? Andando pela rua, ninguém nunca disse que você parece uma pintura de Picasso?
Funcionava. Picasso somou uma dúzia de mulheres importantes na vida e algumas centenas de outras nem tão importantes assim. Pintava quase todas – é autor de mais de 20 mil obras. Uma delas,Toalete, reproduz a imagem de Fernande, sua primeira mulher e, talvez, o seu maior amor. Agora está ali no Margs, à disposição até de quem nunca tem uma boa cantada à mão.
Arte na França
- Em cartaz até 30 de agosto. Aberta à visitação de terças a domingos, das 10h às 19h.
- Margs (Praça da Alfândega, s/nº), fone: (51) 3227-2311.
- Ingresso: um quilo de alimento não-perecível ou um agasalho.

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