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Foi de boa-fé que o chefe de gabinete da governadora Yeda Crusius, Ricardo Lied, disse ontem ter visitado, na terça-feira, o presidente do Detran, Sérgio Buchmann. Na ocasião, Lied afirmou ter pedido a Buchmann colaboração para a prisão de Fábio, seu filho de 26 anos, por tráfico de drogas, a fim de que fosse evitado um “final trágico”. Buchmann negou-se a atender ao apelo, e a detenção ocorreu horas depois.
Lied prestou depoimento por 40 minutos à Corregedoria-Geral da Polícia Civil (Cogepol) na noite de domingo. Relatou que estava em seu apartamento na noite de terça-feira quando recebeu uma ligação do delegado Luis Fernando Martins Oliveira, do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc). O policial lhe disse que precisava conversar e pediu para ir até sua residência.
Chegando ao local por volta das 22h, Oliveira relatou a existência de uma denúncia anônima contra o filho de Buchmann. Na versão do chefe de gabinete, como os policiais desconfiavam
de que o jovem poderia
estar armado e reagir, lhe pediram auxílio para fazer contato com Buchmann e, por intermédio dele, “franquear” o acesso à casa do jovem.
Como não sabia o número do celular do presidente do Detran, Lied ligou para uma secretária a fim de obter a informação. Relatou que, ao chegar ao prédio de Buchmann, o presidente do Detran o recebeu junto ao portão e convidou-o a entrar. Preferindo permanecer junto à entrada, o assessor perguntou a Buchmann se ele tinha um filho que morava na Cidade Baixa. O presidente do Detran reagiu de forma ríspida, dizendo não ter contato com o jovem havia mais de 20 anos.
Chefe de gabinete rejeitou tese de cilada a Buchmann
Em seguida, Oliveira falou da denúncia anônima e pediu a intervenção de Buchmann para impedir que Fábio resistisse à operação policial. De acordo com o assessor de Yeda, Buchmann disse que o filho já havia sido detido em outra oportunidade e deveria pagar pelos erros. Segundo Lied, a
conversa durou cerca de cinco minutos.
Na
quarta-feira, Buchmann havia apresentado a Zero Hora uma versão diferente. Segundo ele, os visitantes teriam lhe pedido que telefonasse para o filho a fim de avisá-lo da prisão iminente. O presidente do Detran entendeu que, se intervisse, Fábio poderia se livrar das drogas em seu poder e, com isso, ele próprio estaria usando seu cargo para frustrar o trabalho da polícia. Buchmann temia estar sendo empurrado para uma armadilha por Lied e pelos policiais. Fábio é filho de seu primeiro casamento e mantém com o pai uma relação distante.
Na quinta-feira, o chefe de Polícia, João Paulo Martins, havia dito a Zero Hora que os policiais tinham se dirigido ao apartamento de Buchmann na suposição de que Fábio vivesse no local com o pai. Ele declarou não ter conhecimento da presença de Lied.
O chefe de gabinete rejeitou ontem a tese de cilada apresentada por Buchmann e lembrou que a operação estava em andamento quando eles procuraram o presidente do Detran. Lied também rebateu uma
insinuação de Buchmann
feita em entrevista ao programa Atualidade, da Rádio Gaúcha, na manhã de ontem. O presidente do Detran afirmou que o assessor demonstrou medo de ser gravado por câmeras de vigilância em frente ao seu prédio. Segundo Lied, ele estava apenas preocupado em não importunar os vizinhos mais próximos da entrada do edifício.
leandro.fontoura@zerohora.com.br
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