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12 de julho de 2009 | N° 16028AlertaVoltar para a edição de hoje

O drama no aeroporto se repete

Número de brasileiros impedidos de entrar no país europeu caiu, mas muitos ainda enfrentam portas fechadas e transtornos

Para quem viveu a amarga experiência de ser barrado no aeroporto de Barajas, na capital da Espanha, Madri, o argumento oficial de que o número de brasileiros impedidos de entrar na país europeu vem caindo não serve de consolo. – Fomos com escolta policial até o avião que nos mandaria de volta. É muito constrangedor – desabafa a gaúcha Maria José da Silva Corrêa, 39 anos.

A educadora viu seus planos de férias ruírem diante do guichê da imigração madrilenha em janeiro deste ano. Apesar de ter dinheiro, cartões de crédito, documentos comprovando que ela tem emprego fixo e uma carta do amigo em cuja casa ficaria hospedada, foi mandada de volta ao Brasil. Tudo o que conheceu da Espanha foram as duas salas do aeroporto onde foi entrevistada.

– Na volta, fiquei uns 10 dias em depressão. É horrível, só quem passa por isso para saber – diz Maria José.

A publicitária gaúcha Mariana Gutheil, 27 anos, residente em São Paulo, concorda. Da viagem que fez no último dia 11 de junho, com destino à Espanha e à França, voltou apenas com um carimbo de inadmitida no passaporte. Ficou extremamente frustrada: além das férias, perdeu a cerimônia de premiação do Festival Internacional de Publicidade de Cannes. A agência na qual trabalha era uma das vencedoras.

– Meu passaporte é supercarimbado, viajo muito a trabalho e a turismo. Tenho até visto dos EUA – lamenta.

Oficialmente, o objetivo do governo da Espanha é impedir a entrada de imigrantes ilegais, mas muitos turistas inocentes, como Maria José e Mariana, também acabam sendo prejudicados.

Medidas foram parcialmente aplicadas

Em 2008, Brasil e Espanha estiveram à beira de uma crise diplomática devido ao grande número de brasileiros barrados. A situação só foi normalizada depois que os dois governos firmaram um acordo, com a definição de seis medidas. Algumas, como a cooperação entre funcionários de imigração e a criação de uma linha direta entre o consulado brasileiro em Madri e as autoridades espanholas, têm funcionado.

– Mandamos grupos de policiais brasileiros para conhecer o sistema espanhol, e eles mandaram agentes ao Brasil. Ao ver que temos boa organização e controle sério, passaram a respeitar mais – observa o subsecretário-geral das Comunidades Brasileiras no Exterior, Oto Agripino Maia, que participou das negociações em 2008.

Outras medidas do acordo, porém, ainda não vingaram. É o caso da instalação de caixas eletrônicos nas áreas de controle imigratório e o acesso dos barrados às bagagens. Ambas esbarram em dificuldades operacionais. No caso dos caixas, o problema é organizar o acesso diário de funcionários que fazem a manutenção do equipamento em uma área restrita. Com relação às bagagens, há a dificuldade do aeroporto de “pinçar” a mala específica da pessoa que está retida. Enquanto isso, o governo brasileiro tem conseguido intervir em casos individuais.

– Conseguimos que pessoas tivessem acesso à bagagem por conta de medicação importante que tinham dentro – afirma o subsecretário.

Sobre as queixas de que a escolha dos agentes é uma “loteria” e de que brasileiros e sul-americanos estão entre os principais alvos, a embaixada da Espanha no Brasil argumenta: as entrevistas são aleatórias porque “o fluxo de turistas é muito grande, o que torna impossível fazer com que todos sejam parados”. A representação também nega que exista discriminação em relação a determinados países.

– Quanto maior o número estimado de imigrantes irregulares de determinado país vivendo lá, maior é o controle na entrada. Agora, porque uns são barrados e outros não, em todo o mundo funciona assim, por amostragem – diz Maia.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN
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