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06 de julho de 2009 | N° 16022AlertaVoltar para a edição de hoje

  • Mistério desfeito

    Acabaram-se as dúvidas sobre a existência ou não de um depoimento de Lair Ferst entregando antigos companheiros do PSDB. Lair fez denúncias gravíssimas ao Ministério Público Federal, envolvendo a governadora Yeda Crusius, seu ex-marido, Carlos Crusius, secretários de Estado, assessores e deputados. Por envolver pessoas com foro privilegiado, o depoimento foi encaminhado em 16 de abril ao então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pelo procurador gaúcho Alexandre Schneider.

    Ninguém irá confirmar se a delação foi premiada ou não. Esse tipo de acordo tem uma cláusula de sigilo, e tanto o réu colaborador quanto os procuradores assumem o compromisso de não tornar pública sua existência, até por uma questão de segurança. Se foi ou não delação premiada, é irrelevante: o que importa é o conteúdo.

    Lair nega ter feito a delação premiada, mas o conteúdo das denúncias resumidas no documento a que Zero Hora teve acesso bate, em parte, com o que a deputada Luciana Genro relatou numa entrevista coletiva em fevereiro deste ano. Luciana falou de nove pontos, e o depoimento de Lair tem 20. Há inconsistências em relação a determinados pontos, como nas denúncias que envolvem o ex-secretário da Fazenda Aod Cunha, mas fica claro que Luciana teve acesso a, no mínimo, um resumo das denúncias. O conteúdo também guarda semelhança com relatos feitos por Lair Ferst a pessoas de sua confiança.

    Uma coisa, porém, não aparece no material encaminhado por Schneider com o ofício OF/SECRIM/PRRS/Nº 2669: os vídeos que Luciana e o vereador Pedro Ruas dizem ter visto. No depoimento definido como “da lavra de Lair Antônio Ferst” só aparecem menções a “áudios” e testemunhas. Aparentemente, são as gravações feitas por Lair com o amigo Marcelo Cavalcante, ex-chefe da representação gaúcha em Brasília, que apareceu morto no Lago Paranoá em fevereiro. Essas gravações se tornaram públicas em reportagem da revista Veja na qual a viúva de Marcelo, Magda Koenigkan, confirmou que ele iria depor ao MPF e apresentou as fitas.

    Não se pode tomar a palavra de Lair como definitiva, até porque ele é um dos réus na Operação Rodin. O que Lair forneceu foram pistas para o Ministério Público e a Polícia Federal investigarem com os meios de que dispõem. Somente depois de quebrar sigilos, cruzar dados e montar o quebra-cabeça das relações é que se poderá saber se as denúncias têm fundamento.

  • Atraso inexplicável

    O atraso de um ano na criação do Portal da Transparência – que se transformou na principal missão incompleta do secretário Otaviano Brenner de Moraes – é um dos mistérios que o governo não consegue explicar. Dificilmente o Executivo poderá atribuir a outros poderes a responsabilidade pela demora.

    Tecnicamente, já há condições para o site que acompanhará os gastos do poder público entrar no ar. Falta apenas formalizar o convênio entre as autoridades.

    – Está tudo pronto. É simplesmente publicar. Apertar o botão – diz o subprocurador-geral de Justiça para Assuntos Institucionais do Ministério Público, Luiz Carlos Ziomkowski.

  • TJ pressiona o Piratini

    Incomodado com a demora, o Tribunal de Justiça chegou a dar um prazo ao Executivo.

    – Estamos prontos há mais de três meses. Se o Executivo não fizer o lançamento até setembro, faremos o nosso (portal) e não iremos mais aderir ao do Executivo – reclamou o diretor-geral do Tribunal de Justiça, Omar Amorim.

    Segundo o TJ, haverá a divulgação de dados orçamentários e de pagamentos detalhados a fornecedores, investimentos, diárias, lista com o nome e cargo de servidores, mas não serão divulgados salários. Terá o nome do ocupantes de CCs e FGs e o valor de cada uma, além dos gastos com diárias.



    ALIÁS

    O Ministério Público Federal não pode dizer se houve delação premiada, mas deve informar, nos próximos dias, todas as providências adotadas a partir das investigações que continuou fazendo após denunciar os réus no escândalo do Detran.

  • MARATONA POR 2010

    Reunidos por 16 horas entre sábado e domingo, líderes do PMDB gaúcho trataram de afinar o discurso para as eleições 2010. Em Salvador do Sul, coordenadores regionais, deputados estaduais e federais e secretários discutiram o plano de governo que está sendo elaborado pela Fundação Ulysses Guimarães (FUG). O trabalho, presidido pelo ex-vice-governador Antônio Hohlfeldt, reuniu sugestões de peemedebistas em todo o Estado.

    Entusiasta do projeto de ensino à distância do PMDB, o deputado federal Eliseu Padilha afirmou que, com a qualificação da militância, o partido se credencia até mesmo para concorrer à presidência da República.

    – Temos a maior representação de deputados estaduais e federais, senadores, governadores, prefeitos e vereadores. Esses números provam que temos quadros e competência para um projeto maior de poder – disse Padilha.



    Pacientes e enfermeiros do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, têm sido surpreendidos nos últimos dias ao encontrar pelos corredores o jurista e ex-ministro da Justiça e do Supremo Tribunal Federal (STF) Paulo Brossard. Internado desde o dia 26, em função de uma fratura na perna esquerda, Brossard caminha pelos corredores como parte do tratamento de fisioterapia.

    – Estou reaprendendo a andar – costuma brincar Brossard, segundo a filha Magda Brossard Iolovitch.

    A expectativa é de que o jurista deixe o hospital até amanhã.



    Ao contrário de outros citados, que optam pelo silêncio, de Nova York o ex-secretário da Fazenda Aod Cunha responde às denúncias de Lair Ferst envolvendo seu nome e lembra que não se confirmaram as principais suspeitas levantadas por Luciana Genro.

  • Novo OP em São Leopoldo

    Cartão de visitas de prefeituras do PT, o Orçamento Participativo de São Leopoldo foi modificado. Este ano, o processo de discussão sobre obras do município se chamará Congresso das Cidades, que deverá definir mudanças estratégicas com delegados escolhidos em vilas e bairros.

    – Queremos discutir uma visão da cidade e não o calçamento aqui e ali. No ano que vem, o processo voltará a ser como era antes – diz o prefeito Ary Vanazzi (PT).

  • Cópias do material encaminhado em abril ao então procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza chegaram às mãos de advogados na sexta-feira, em envelope sem identificação do remetente.

  • Obras na geladeira

    A oposição diz que a prefeitura de São Leopoldo colocou o OP na geladeira e aponta atrasos de até três anos em obras. O prefeito Ary Vanazzi alega que atrasos ocorreram por problemas técnicos e jurídicos.

    Diz que, das obras previstas para 2006, 95% foram feitas. Das demandas previstas para 2007, 85% foram executadas e, das de 2008, 30% estão concluídas.

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