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05 de julho de 2009 | N° 16021AlertaVoltar para a edição de hoje

Solidariedade no currículo

Contribuir para uma comunidade ou causa, além de ajudar a torná-lo um ser humano melhor, pode abrir portas no mercado de trabalho. Cada vez mais preocupadas com a responsabilidade social, as empresas buscam incluir em seus quadros pessoas envolvidas com serviços voluntários.

Ézio Rezende, vice-presidente de sustentabilidade da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Estado (ABRH/RS), atribui à legislação que normatiza o voluntariado no Brasil (fevereiro de 1998) o crescimento da importância desse tipo de atividade para a carreira.

– Antes de existir a lei, as entidades tinham receio de contratar, e as empresas não se sentiam à vontade para estimular os funcionários – avalia Rezende, acrescentando que as organizações já abrem espaços no expediente para as práticas humanitárias.

Na avaliação de Claudia Remião Franciosi, gerente de mobilização da ONG Parceiros Voluntários, quem doa seu tempo a ações comunitárias soma qualidades que podem ser fundamentais para o sucesso na carreira.

– Quando alguém depara com dificuldades que não fazem parte do seu cotidiano e descobre maneiras de resolvê-las, valoriza mais o próprio trabalho. Além disso, após lidar com adversidades, o funcionário torna-se mais solidário, com maior capacidade de adaptação e habilidade de relacionamento – garante Claudia.

Para Fabiana Gabrielli, diretora do Grupo Foco, que atua com recrutamento, o trabalho voluntário estimula o sentimento de colaboração no funcionário e o torna mais flexível. Mas a ação só irá agregar valor profissional se for espontânea:

– Não adianta querer se candidatar a uma atividade não remunerada apenas para valorizar o currículo, pois esse ainda não é um fator de desempate na disputa por uma vaga.

Para a nutricionista Vera Mejolaro, o voluntariado foi a porta de entrada para o emprego, já que ela recebeu a indicação para uma vaga durante um evento relacionado à atividade desenvolvida no Morro Santa Tereza, em Porto Alegre.

– A empresa queria alguém com perfil de voluntariado. Marquei a entrevista e fui contratada – comemora Vera, que, apesar da recolocação, não abandonou as oficinas de informática na associação dos moradores.

maria.amelia@zerohora.com.br

MARIA AMÉLIA VARGAS
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