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O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, ainda dormia quando uma sequência de tiros, seguidos de gritos, o despertou na manhã de ontem. Assustado, pulou da cama e buscou refúgio para se proteger das balas. Naquele momento ele ainda não sabia, mas estava testemunhando o golpe que o derrubaria do poder.
Aação desencadeada a partir das 5h (8h em Brasília) dentro do palácio presidencial de Honduras, na capital, Tegucigalpa, fazia parte do script planejado pelas forças armadas do país, com o apoio do Judiciário e do Legislativo. Na prática, um golpe anunciado. Segundo relatos do presidente, seus seguranças resistiram à entrada das tropas por pelo menos 20 minutos. Dominado por soldados mascarados, ele foi levado até um avião da força aérea, que, com o exílio como destino, voou para a Costa Rica. Ainda ontem, Zelaya teria viajado para a Nicarágua em um avião da Venezuela – o presidente Hugo Chávez é um conhecido aliado.
A investida dos militares aconteceu horas antes da
realização de uma consulta
popular que iria definir se a Constituição do país poderia ser modificada. Em uma declaração, a Suprema Corte hondurenha informou que havia ordenado ao exército a expulsão de Zelaya pela insistência dele em realizar a consulta, que havia sido considerada ilegal. “O exército agiu para defender o Estado de Direito”, informou o comunicado. Para os críticos, a mudança na Constituição ocultava a intenção do presidente de acabar com as limitações a sua reeleição.
– Este golpe é uma bofetada no país, um retrocesso de 40 ou 50 anos – declarou o esquerdista Zelaya.
O aliado Chávez também reagiu e ameaçou agir militarmente contra o golpe em Honduras:
– Vamos derrubar os golpistas.
O Legislativo e o Judiciário de Honduras se apressaram em preencher o vazio de poder. Enquanto o Supremo Tribunal Eleitoral confirmava as eleições gerais para 29 de novembro, o Congresso nomeava seu presidente, Roberto Micheletti, como novo presidente do país. A
primeira medida dele foi decretar toque de recolher
de 48 horas – vigente ontem e hoje das 21h às 6h (de 0h a 9h de Brasília). O secretário do Legislativo hondurenho, José Alberto Saavedra, declarou que Zelaya havia apresentado uma carta de renúncia, alegando “problemas de saúde”.
– Nunca renunciei. Sou presidente eleito – desmentiu Zelaya em entrevista à rede CNN em Espanhol.
A Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou ontem uma resolução condenando o golpe e exigindo o retorno “imediato, seguro e incondicional” de Zelaya ao poder. Uma sessão extraordinária também foi marcada para amanhã.
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