Confira os profissionais que assinam os projetos desta edição do caderno Casa&Cia
Material curinga está presente em áreas da Mostra Casa&Cia Praia
A Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) se miniaturizou e sobrevive na precariedade. O número de alunos e de professores despencou, o orçamento encolheu, faltam livros e laboratórios, os cursos não conseguem reconhecimento por desatender às exigências.
Um dos resultados da decadência é o surgimento de uma instituição inédita: a universidade-fantasma, em Caxias do Sul, um dos 24 municípios que receberam unidades da Uergs. Na cidade serrana, que já teve mais de cem alunos, sequer ocorrem aulas de graduação. Há uma professora, responsável pela coordenação, dois funcionários e 15 formandos retardatários de dois cursos. Uns precisam viajar a outros municípios para cursar as disciplinas que faltam, outros aguardam que a universidade ofereça em algum ponto do Estado as cadeiras de que dependem para se formar.
– Não sabemos o que vai acontecer com a nossa unidade quando esses últimos alunos se formarem – diz a coordenadora do polo, Lilian
Kratz.
A situação de penúria pipoca por
todas as partes. No começo da manhã de quinta-feira, por exemplo, uma turma da unidade de Bento Gonçalves embarcou em um ônibus e foi a Novo Hamburgo para poder ter uma aula de laboratório. Eles têm de fazer a viagem periodicamente porque o laboratório de química e biologia da sua própria unidade está encaixotado há anos – o dinheiro para instalá-lo nunca chegou.
– Seria mais cômodo se as aulas fossem em Bento. Já faço estágio e tenho compromissos – diz o aluno de 7º semestre Vitor Falavigna, 20 anos.
A agonia da Uergs assusta professores, alunos e representantes das regiões que contam com sedes da instituição. Na sexta-feira, a comunidade universitária promoveu um protesto contra o que entende como desmonte no centro de Porto Alegre. Na semana anterior, a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa aprovou uma audiência pública para buscar formas de pressionar o governo.
Responsável por conferir aos cursos da universidade o reconhecimento que
permitirá a emissão dos diplomas, o
Conselho Estadual de Educação deparou com um quadro tenebroso: unidades instaladas em espaços inadequados, bibliotecas peladas, professores escassos. Em 42 dos 72 pedidos feitos de 2005 a 2008 pela Uergs, o conselho limitou-se a reconhecer uma turma, em geral a primeira, para não prejudicar os alunos, e a exigir providências para o reconhecimento do curso em si. Na semana passada, a presidente do Conselho, Cecília Farias, afirmou que estava com 14 processos em andamento. A Uergs tem 24 cursos operando.
– Vamos analisar os documentos para ver o que foi feito, mas já sabemos que muitos problemas não foram sanados – diz Cecília.
itamar.melo@zerohora.com.br
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