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Na maior ação da história, a Polícia Civil gaúcha prendeu 227 pessoas entre o meio-dia de quarta-feira e o meio-dia de ontem. Denominada Operação São João (porque foi desencadeada na noite que homenageia o santo), a ofensiva mirou no tráfico de drogas, mas acabou também surpreendendo autores de outros delitos. Foram vasculhadas bocas-de-fumo em todo o Rio Grande do Sul.
227 prisões
A operação se diferencia por alguns motivos. O principal é que a Polícia Civil decidiu agir sozinha e não de forma conjunta, com a Brigada Militar, como tem sido o costume por décadas. A maior parte dos alvos foi previamente selecionada, evitando arrastões que costumam misturar culpados e inocentes num mesmo camburão, rumo à delegacia.
Os policiais pediram à Justiça – e conseguiram – mandados de busca e apreensão para mais de 300 locais suspeitos de centralizar venda de drogas no varejo. Deu certo. Todas as 372 delegacias da Polícia Civil do Estado foram convocadas a
realizar, pelo menos, uma prisão cada. A
meta não chegou a ser cumprida, mas ficou perto do estabelecido. Algumas DPs realizaram cinco vezes mais prisões.
A cúpula da Polícia Civil acredita que a maior parte dos presos vai permanecer algum tempo na prisão, já que pelo menos 123 eram foragidos do sistema penitenciário (que passaram por presídios, mas escaparam) ou procurados (condenados com ordem de captura, mas sem passagem por presídio). O demais foram presos em flagrante. Todos foram recolhidos em presídios. Os policiais ainda não contabilizaram quantos flagrantes acabaram homologados pelo Judiciário, o que mantém os suspeitos mais tempo na prisão.
A conhecida falta de vagas no sistema penitenciário não deve ser surpresa, acreditam os policiais. Isso porque a maioria das prisões aconteceu no Interior, melhor servido de presídios e onde até sobram vagas, em muitos casos. Mesmo assim, cerca de cem presos foram alojados do dia para a noite no Presídio Central, na Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ) e na
Penitenciária Modulada de
Charqueadas.
Para o juiz Sidinei José Brzuska, que fiscaliza os presídios da Região Metropolitana, os presos deverão ser incluídos nos presídios, mas em condições altamente precárias:
– As prisões preventivas e flagrantes são prioridade, mas a falta de vagas pode comprometer o desenrolar dos processos. Não sei se poderão ser soltos ou não, mas corre-se o risco.
Segundo ele, as prisões são importantes para dar uma resposta à sociedade, mas são apenas uma das etapas e que a outra fase, o sistema penitenciário, precisa de investimentos urgentes.
Nas 24 horas de operação, cerca de 850 agentes (20% do total de servidores da Polícia Civil) realizaram buscas em residências (durante o dia) e em bares ou boates, à noite. Quase a metade das prisões – cem – aconteceu em Porto Alegre e na Região Metropolitana. Dessas, 61 na Capital.
Nas incursões, os policiais encontraram ainda 46 armas, 33 quilos de drogas e objetos
receptados pelos traficantes, como carros obtidos mediante roubo.
Apelidada por alguns agentes de Operação 24 Horas, a ação mobilizou inclusive policiais que atuam, normalmente, em funções administrativas.
– É nossa resposta à sociedade na Semana Internacional de Combate às Drogas. O bom, nisso tudo, é que todos os presos foram enviados ao sistema penitenciário, nenhum deles ficou naquela história de passar pela delegacia e ser logo liberado – comemora o subchefe de Polícia, delegado Álvaro Steigleder Chaves.
humberto.trezzi@zerohora.com.br
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