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A multidão de anônimos que diariamente sai às ruas do Irã para protestar contra as supostas fraudes na eleição presidencial transformou em sua a tragédia da jovem Neda Soltani, morta na capital, Teerã, durante uma manifestação no sábado. As cenas do instante em que ela é atingida por um tiro no peito foram registradas por um celular e ganharam o mundo com o auxílio de sites da internet. Também converteram Neda em um símbolo.
Ontem, o rosto da iraniana já estampava cartazes de diversos protestos, tanto em Teerã quanto em outras cidades dos quatro cantos do planeta. Preocupadas com a repercussão do caso, autoridades iranianas teriam proibido um funeral público. Só teriam liberado o corpo da jovem depois que a família concordou com uma cerimônia privada e rápida, no último domingo, no cemitério Behesht-e Zahra, situado nos arredores de Teerã.
As cenas em que Neda aparece sendo baleada foram originalmente postadas no Facebook (site de relacionamentos) por um iraniano que
vive na Holanda e diz ter
recebido as imagens de um amigo no Irã. Com 26 anos, a jovem estudava Filosofia e música e trabalhava meio turno como agente de viagens. O noivo, Caspian Makan, acredita que ela simplesmente estava no lugar errado na hora errada.
Momentos antes de ser atingida, Neda e seu professor de música estariam circulando de carro pela área central da capital, quando ficaram presos em um engarrafamento. Para escapar do calor, os dois decidiram seguir a pé. Quando caminhava pela Rua Karegar, falando ao telefone celular, a estudante foi alvejada.
– A preocupação de Neda não era com Mir Hossein Mousavi (candidato derrotado na eleição e líder dos protestos) ou com o presidente Mahmoud Ahmadinejad. Era com o país dela – observou Makan, acrescentando que a noiva era simpatizante das manifestações, embora não planejasse participar da mobilização.
Em uma outra versão para o fato, Neda – cujo nome significa “o chamado”, ou “a voz”, em persa – teria sido baleada quando
participava, ao lado do pai, de um
protesto. Até ontem, também não estava claro de onde teria partido o tiro – mas as suspeitas recaem sobre a milícia pró-governo Basij, responsável pelos principais atos de violência contra os manifestantes. O certo é que as cenas da execução mobilizaram internautas de dentro e de fora do Irã.
O escritor Paulo Coelho falou sobre o caso em seu blog
O assunto foi um dos tópicos mais acessados no Twitter (microblog). Até o escritor brasileiro Paulo Coelho citou o caso em seu blog – ele conhece o médico que aparece tentando ajudar a vítima. Neda virou, inclusive, tópico na Wikipedia, a enciclopédia virtual.
Ontem, o governo iraniano anunciou a prisão de cinco supostos agentes secretos europeus – dois alemães, dois franceses e um britânico – que estariam incentivando os protestos contra a reeleição de Ahmadinejad. Os manifestantes também voltaram ontem às ruas de Teerã e foram reprimidos com gás lacrimogêneo e tiros pela polícia de
choque. Segundo o governo, ao menos 17 pessoas já
morreram durante os protestos iniciados depois da eleição de 12 de junho.
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