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20 de junho de 2009 | N° 16006AlertaVoltar para a edição de hoje

Lula defende medida que regulariza terras

Para ONGs, proposta em análise protege grilagem na Amazônia

Em meio ao fogo cruzado entre ambientalistas e defensores do agronegócio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva preferiu ontem sair em defesa dos produtores. Por conta de uma proposta que regulariza as posses de até 1,5 mil hectares – equivalentes a 1,5 mil campos de futebol – na Amazônia e que está sob exame no Planalto, o presidente disse em Mato Grosso que “ninguém pode ficar dizendo que alguém é bandido porque desmatou a região”.

Em seguida, Lula lembrou que o desmatamento foi incentivado por atos do governo na década de 70, quando foi feita uma reforma agrária. Na ocasião, famílias inteiras mudaram-se do norte gaúcho e do oeste catarinense e paranaense para a Amazônia para colonizar Mato Grosso e os Estados vizinhos.

Lula disse que tem até o dia 25 para sancionar a proposta e que até lá pretende ouvir os envolvidos para saber se deve ou não vetar algum trecho da medida provisória.

As críticas dos ambientalistas à proposta se centram em basicamente dois artigos alterados pelo Congresso: os que propõem legalização de terras ocupadas por empresas e autorização para venda da posse depois de três anos e não de 10, como no texto original. O temor das ONGs que representam os ecologistas é que a medida facilite a grilagem – posse irregular de terras, legitimando o desmatamento.

Na linha de defesa dos direitos dos colonos, o presidente disse que a análise das ONGs é equivocada, mesmo na presença do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, alinhado com os ecologistas.

– Eu posso dizer que as ONGs não estão dizendo a verdade quando dizem que a medida incentiva a grilagem de terra no Brasil. O que nós queremos fazer é exatamente garantir que as pessoas tenham o título da terra, para ver se a gente acaba com a violência.

Para a plateia mato-grossense, Lula deu um exemplo genérico a partir de uma família gaúcha para falar da colonização da região:

– Eu fico com orgulho quando vejo um cidadão que tinha 50 hectares de terra no Rio Grande do Sul. Hoje ele tem 2 mil hectares aqui, tem casa, tem carro e está bem de vida, porque produziu, porque trabalhou, porque comeu o pão que o diabo amassou.

Para Lula, porém o país necessita passar por um processo inverso ao que ocorreu nos anos 70.

– Nós, agora, precisamos remar ao contrário. Nós temos de dizer para as pessoas que se houve um momento em que a gente podia desmatar, agora desmatar joga contra a gente, vai nos prejudicar no futuro, porque empréstimo internacional não sai – declarou.

Aproveitando a presença do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), Lula chegou a imitar um diálogo entre um comprador da Europa e o governador, grande produtor de soja:

– Ah, é da região da Amazônia, que está destruindo? Então, não vamos comprar.

Alta Floresta
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