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Uma frase de Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, ecoou ontem, às vésperas de uma reunião ministerial do grupo de países que costumava decidir os destinos do planeta: – O G-8 morreu, não tenho a menor dúvida sobre isso, porque não representa mais nada.
Embora a declaração de Amorim seja um epitáfio para a morte anunciada do grupo dos sete países mais ricos, acrescido da Rússia, provocou celeuma. Ontem, ministros dessas nações preparavam a reunião de cúpula de julho em L’Aquila, cidade italiana abalada por um terremoto. O G-8 está combalido porque a crise teve impacto mais forte sobre seus integrantes, deslocando atenções para os emergentes.
No foco do chanceler, estava o encontro da próxima terça-feira na cidade russa de Ekaterimburgo. Será a primeira reunião de Brasil, Rússia, Índia e China, o grupo da sigla Bric. Com o encontro, o Bric deve disputar holofotes com o G-20 – que também só reuniu chefes de Estado depois da crise, no final de
2008.
Feita durante cerimônia no
Instituto de Estudos Políticos de Paris, a declaração de Amorim pode ser até pouco diplomática, no momento em que o G-8 aciona uma de suas instâncias. Mas o chanceler voltou a defender uma nova governança mundial e a necessidade de que os emergentes e em desenvolvimento assumam papel “decisivo” nas questões internacionais:
– Estamos entrando em um mundo de governança variável, e países como China, Índia e Brasil têm de estar em todos os esquemas.
Na agenda do Bric, que representa 15% dos US$ 60,7 trilhões da economia global, está o debate sobre a redução da dependência do dólar. Rússia e Brasil, tidos como integrantes mais fracos, têm sido mais incisivos na proposta de alternativas à moeda americana. A China, maior detentor mundial de títulos dos EUA, sustenta que o dólar deve manter seu papel dominante.
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