Confira os profissionais que assinam os projetos desta edição do caderno Casa&Cia
Material curinga está presente em áreas da Mostra Casa&Cia Praia
Alguns dias depois de sua reabertura, a unidade de emergência do Hospital de Clínicas está novamente superlotada, assim como a Santa Casa pede que os pacientes procurem outros hospitais, o mesmo já tendo sido feito pelo Hospital São Lucas da PUCRS, tudo isso no último mês de maio; considere-se que o Hospital Nossa Senhora da Conceição, silenciosamente, abriga mais do que o dobro de pacientes de sua capacidade em leitos, no mesmo período.
Coisas em comum? Alguém diz que muitos dos usuários das emergências não têm doenças graves, que poderiam ser atendidos com eficiência na rede ambulatorial. Outros, como eu próprio, dizem, repetem, e esperam ser respondidos, que a causa de tudo isso é a simples e plana falta de leitos, os que diminuem continuamente desde o início dos anos 1990 e os que devem bastar para uma população que cresce a uma determinada taxa, no mesmo período (basta consultarmos o Datasus e o IBGE).
Assim, restam muitas perguntas não respondidas: se cabe aos
gestores a organização do
SUS no Estado e nos municípios, por que a rede ambulatorial não foi devidamente estruturada, depois de mais de 20 anos de discursos, conferências, simpósios e muita lenga-lenga? Ou, se os leitos visivelmente faltam, por que o poder público não toma providências para sanar a ignomínia a que são sujeitos os cidadãos mais desprotegidos, os que não podem pagar planos de saúde de seus bolsos?
Alguém perguntaria: Como? O Executivo (e todos os políticos) centra fogo nos programas de saúde da família. Bastaria que se tivesse um certo número de equipes e tudo estaria bem. Alguém já mediu isso, com dados validados cientificamente? Alguém poderá assegurar aos gaúchos que na hipótese de esse programa cobrir a maior parte da população, precisaríamos de menos leitos? E mais: por que os ambulatórios secundários, completamente sem rumo, sem metas de trabalho, sem indicadores operacionais, sem prioridades definidas e sem a maior parte dos insumos necessários para o básico, não são organizados pelos
governos, numa
linha de prioridade?
E os leitos urgentemente necessários? Mais perguntas: podem o SUS-RS e os gestores da Capital ignorar a existência de filantrópicos aqui localizados que não agregam um único leito em Porto Alegre, apesar de vultosos perdões tributários, com base em uma lei que os obrigaria a fornecer 60% deles ao SUS? Pode-se aceitar o silêncio em torno de um número potencial de 400 (quatrocentos) leitos não utilizados, como se fossem nada? Como entender essas isenções, ao lado de acusações de fraude nas concessões de filantropia (notícia de ZH), envolvendo pessoas e entidades locais?
E as autoridades judiciais, onde estão? E os gestores? E o assim chamado controle social, em silêncio perpétuo sobre esse tema? Quem pode trazer à opinião pública o conhecimento sobre as razões dessas colossais omissões, que sangram recursos públicos, sem nenhum benefício para a população?
Até quando durará essa tragédia assistida, que beneficia a tão poucos e que
impede os cidadãos de serem
minimamente respeitados em seus direitos?
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