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04 de junho de 2009 | N° 15990AlertaVoltar para a edição de hoje

OEA desmantela um símbolo da Guerra Fria

Única nação do continente americano barrada no organismo, Cuba recebeu sinal verde para retornar à entidade

Ruiu um símbolo da Guerra Fria, que dividiu o planeta entre países capitalistas e comunistas do final da II Guerra Mundial até a queda do Muro de Berlim, em 1989.

Por aclamação, a Organização dos Estados Americanos (OEA), em sua 39ª Assembleia Geral, revogou ontem a medida de 1962 que suspendeu Cuba da entidade – atualmente com 34 países-membros, incluindo o Brasil. O único país do continente que não integra o organismo é justamente Cuba. A decisão é histórica, embora não signifique necessariamente o retorno imediato da nação de Fidel Castro à organização, que ajuda a mediar disputas e coordenar políticas comuns nas Américas. Autoridades cubanas insistiram recentemente que não têm interesse em ocupar uma vaga na OEA, por considerar a entidade “um instrumento dos Estados Unidos”.

– A Guerra Fria acabou neste dia em San Pedro Sula. Começamos uma nova era de fraternidade e tolerância – disse o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, logo após o anúncio.

A decisão foi tomada por consenso, ou seja, com apoio inclusive dos EUA, embora até terça-feira a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que participava do encontro, insistisse que Cuba precisa fazer reformas democráticas e respeitar os direitos humanos.

– Os EUA trabalharam de maneira incansável para garantir que a volta de Cuba ocorra de acordo com os princípios e objetivos da democracia e dos direitos humanos – disse o porta-voz do Departamento de Estado, Robert Wood.

Os EUA conseguiram impor a suspensão de Cuba da OEA em janeiro de 1962, apenas nove meses depois de o então líder cubano Fidel Castro anunciar o caráter socialista da Revolução Cubana e após a fracassada invasão de exilados cubanos treinados pela CIA (agência de inteligência americana) na Baía dos Porcos. Na época, o texto da suspensão afirmava que “a adesão de Cuba ao marxismo-leninismo é incompatível como o sistema interamericano”. Mas, nos últimos 20 anos, com o final da Guerra Fria e a chegada da esquerda ao poder em muitos países da América Latina, o isolamento de Cuba implodiu.

San Pedro Sula, Honduras
Seis décadas de relações nas Américas
As reviravoltas na diplomacia continental desde a criação da OEA:
1948 – Vinte e um países do continente americano fundam a OEA. O órgão nasce sob égide da Doutrina Monroe, por meio da qual os EUA proclamaram, no início do século 19, sua hegemonia na região
1961 – Dois anos após Revolução Cubana, é lançada a Aliança para o Progresso, iniciativa do governo Kennedy (1961-1963) para conter a influência comunista na região
1962 – OEA invoca o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar) para suspender Cuba por sua filiação ao “marxismo-leninismo’’ e por aceitar “ajuda militar das potências comunistas extracontinentais’’. Brasil, México, Equador e Argentina se abstêm na votação
1983 – Diante do envolvimento do governo Ronald Reagan (1981-1989) nas guerras civis que opõem ditaduras militares a guerrilhas esquerdistas na América Central, Colômbia, México, Venezuela e Panamá criam o Grupo de Contadora, que se propõe a mediar conflitos. A iniciativa daria origem ao Grupo do Rio, com participação do Brasil
2008 – Em abril, é criada a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), com 12 países. Em dezembro, na Bahia, Cuba é reincorporada ao Grupo do Rio

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