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03 de junho de 2009 | N° 15989AlertaVoltar para a edição de hoje

Pesquisa mostra estresse de professores

Ouvir o toque do sinal que marca o término da aula não significa sossego para o professor particular gaúcho.

Pesquisa inédita divulgada ontem aponta que 70% dos docentes levam trabalho para casa. A sobrecarga devido à correção de provas, preparação de aulas e contato virtual com alunos está provocando estresse, doenças e forçando os educadores a se medicarem mais.

Para o estudo, encomendado pelo Sindicato dos Professores do Ensino Privado (Sinpro), foram ouvidos nos últimos 10 meses 1.680 professores de escolas e faculdades particulares de todas as regiões gaúchas. Entre os entrevistados, 70% informaram que realizam frequentemente atividades extraclasse nos momentos que deveriam descansar. Desses, 74% despendem mais de oito horas semanais ao trabalho em casa, o equivalente a quase uma hora e 10 minutos por dia.

Como consequência, dois em cada três docentes relatam sofrer de estresse e ansiedade relacionados ao trabalho. Para 11%, a sobrecarga chega a resultar em depressão.

– A pressão por produtividade extrapola a jornada de trabalho, levando o professor a deixar de lado seus momentos de lazer – diz Wilson Campos, coordenador técnico da pesquisa.

Com o aumento das atribuições dentro e fora das salas de aula, 71% dos educadores informaram sentir dores nas duas semanas anteriores à consulta. Para Sani Belfer Cardon, da diretoria do Sinpro, os professores costumam trabalhar doentes para não se afastar do trabalho. Apenas 6% se afastaram do trabalho por mais de 15 dias nos últimos seis meses. O receio é de ser dispensado.

Contraponto
O que diz o Sindicato do Ensino Privado (Sinepe)
Ovice-presidente do Sinepe, Hilario Bassotto, avalia que levar trabalho para casa é uma ação inerente a inúmeras profissões, incluindo a de professor. Isso é visto como uma imposição dos pais, que esperam do educador resultados positivos dos filhos. Para ele, o levantamento é importante para o setor, pois possibilita avaliar a situação dos funcionários e permite a tomada de ações.
Bassotto informa que há instituições que preveem horas remuneradas para os professores realizarem correção de provas e preparação de aulas. O uso de medicamentos é visto com preocupação, mas o Sinepe não vê os dados como conclusivos por falta de comparação com anos anteriores ou outros segmentos.

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