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31 de maio de 2009 | N° 15986AlertaVoltar para a edição de hoje

Funcionário e empreendedor

Pesquisa realizada pelo Sebrae revela que apenas 0,6% dos empregados são engajados a ponto de oferecerem ideias inovadoras às empresas

Funcionários que sugerem inovações e melhorias para a empresa são raridade no mercado de trabalho. Os chamados intraempreendedores, aqueles que apresentam uma postura engajada no meio corporativo, correspondem a apenas 0,6% dos trabalhadores brasileiros, de acordo com pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Não que não existam profissionais com esse perfil espalhados por aí. O problema, segundo especialistas, está na falta de incentivo das empresas a esse tipo de atitude. As companhias raramente investem em inovação, o que acaba desestimulando o comportamento empreendedor no meio corporativo e até ocultando talentos que poderiam render muito mais para as corporações.

Muitos trabalhadores com essas características preferem até se manter anônimos ou sair das empresas para tocar um negócio próprio. Para Paulo Okamoto, presidente do Sebrae, a postura passiva dos funcionários se deve a uma gestão antiquada por parte das empresas:

– É um problema cultural do Brasil. Como herança da ditadura, ainda somos um país muito autoritário. Há um clima de repressão nas relações hierárquicas nas empresas que acaba desestimulando novas ideias e inibindo a inovação.

Ao ser ousado, lembra Okamoto, o funcionário está correndo o risco de errar. E o erro, infelizmente, ainda não é bem assimilado pelos gestores brasileiros.

– O trabalhador fica com medo de perder o emprego e acaba optando por uma postura mais submissa, que é menos arriscada – observa o presidente do Sebrae.

Ênio Pinto, gerente de atendimento do Sebrae, ressalta ainda que o modelo educacional brasileiro também é responsável por tolher a cultura empreendedora:

– As escolas ensinam a decorar e repetir, enquanto que, para ser um empreendedor, é sempre necessário reciclar velhos conceitos, criar novas soluções e ser propositivo. Há, portanto, um descompasso imenso nesse caso.

Combinar uma educação limitadora a uma gestão pouco participativa é desastroso para as organizações, que perdem oportunidades. No conjunto, essa atitude empresarial torna o Brasil um país menos competitivo.

Segundo Alexandre Moreira Nascimento, professor de empreendedorismo da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), o investimento em profissionais empreendedores não fica limitado a grandes corporações ligadas ao setor de tecnologia.

– Isso pode ser aplicado a pequenas empresas, comércios, prestadores de serviços, entre outros. Investir nessa área resulta em ganho de produtividade e de competitividade. As agências de propaganda são exemplos bem-sucedidos no Brasil, pois são reconhecidos mundialmente – ressalta Penteado.

São Paulo
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