clicRBS

Buscar

">ZERO HORA.com

none
  •  | 
  • imprimir
  •  | 
  •  | 
  • letra A - | A +
27 de maio de 2009 | N° 15982AlertaVoltar para a edição de hoje

Retrato do escritor quando jovem

Contistas, romancistas e poetas nascidos na década de 1980, com pretensões estéticas e inserção no meio acadêmico, compõem a nova e promissora onda da literatura gaúcha

Eles não pedem passagem. Reúnem-se, buscam seu espaço, cravam as unhas no cenário literário do Estado e vão abrindo seu caminho.

Uma nova onda literária composta de escritores e poetas com menos de 30 anos forma o panorama da atual ficção contemporânea gaúcha. Uma turma para quem o pop é elemento, não requisito, que escreve explorando a linguagem com pretensão intelectual inovadora mas tentando comover o leitor, e para quem os pioneiros da Livros do Mal, no início dos anos 2000, são, mais do que companheiros de faixa etária, inspiração.

– Li o Dentes Guardados, do Daniel Galera, com 16 anos. Hoje ele não provoca mais o mesmo impacto em mim, mas há um trabalho estético claro, de brincar com palavras, vírgulas fora do lugar. Foi um livro inspirador numa época em que eu lia só o que o colégio me obrigava – comenta Antonio Xerxenesky, nascido em 1984 e autor da coletânea de contos Entre e do romance Areia nos Dentes.

Zero Hora elegeu alguns nomes de destaque da produção de nossos dias para traçar um retrato dessa nova onda de escritores, cuja marca é a pluralidade. Livres de qualquer programa estético em grupo, os novos poetas e ficcionistas sentem-se à vontade para misturar zumbis e faroeste, como Antônio Xerxenesky; homossexualidade, tradição bíblica e identidade, como Rafael Bán Jacobsen; ou criar ficção a partir de estudos de casos de violência infantil, como Marcelo Spalding.

– Sempre me pergunto se há um movimento, ou vários, se não há, e, sobretudo, se é possível fazer uma análise justa quando se está inserido nisso – diz Carol Bensimon, em um comentário que encontra maior ou menor eco nas formulações dos demais autores entrevistados. – O que posso dizer é que não tenho a preocupação de me inserir numa estética, numa tendência temática ou coisa que o valha. Se acontece, é naturalmente.

Outro ponto que distingue a nova geração é sua inserção no meio acadêmico. Boa parte dos atuais autores abaixo dos 30 anos reparte-se entre a criação de sua literatura e o estudo ou a pesquisa. Carol Bensimon é mestre em Literatura Brasileira e atualmente cursa o doutorado na Sorbonne, em Paris, onde mora com o namorado, o poeta Diego Grando – mestre em escrita criativa pela PUCRS e também cursando doutorado na França. Telma Scherer é mestre em Literatura Comparada; Marcelo Spalding, em Literatura Brasileira. É uma moçada que percebeu logo que a criação literária e a academia não precisam ser instâncias irreconciliáveis.

– Essa geração é mais bem preparada intelectualmente do que foi a minha – diz Charles Kiefer, escritor que integrou a chamada “Geração 80”, quando boa parte dos autores atuais estava nascendo, e que ministra uma das duas mais importantes oficinas literárias do Estado. – Quando cheguei a Porto Alegre, as pessoas eram, na maioria, contadoras de histórias, do jeito que o Erico Verissimo sempre se definiu, mas havia pouca reflexão teórica formal, era muito na intuição. Hoje, os mais novos são mais qualificados para o embate com a palavra. Talvez o que falte sejam utopias e experiência, ou um certo instinto de aventura.

Leia mais na página central

CARLOS ANDRÉ MOREIRA
  •  | 
  • imprimir
  •  | 
  •  | 
  • letra A - | A +

Grupo RBSDúvidas Frequentes | Fale conosco | Anuncie - © 2000-2007 RBS Internet e Inovação - Todos os direitos reservados.