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23 de maio de 2009 | N° 15978AlertaVoltar para a edição de hoje

Justiça autoriza quebra de sigilo de ex-assessor

Decisão ajudará a polícia a esclarecer morte de Cavalcante

A Polícia Civil do Distrito Federal obteve autorização para prorrogar por mais 30 dias o inquérito que investiga a morte do ex-representante do governo gaúcho em Brasília Marcelo Cavalcante. A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos telefônico, bancário e fiscal de Cavalcante.

Depois de quase dois meses parado na Justiça de Brasília, o inquérito com mais de 200 páginas voltou às mãos da delegada Naíce Landim Pinheiro. A linha de investigação da polícia continua apontando o suicídio, e o objetivo agora é cruzar informações fornecidas pela quebra de sigilo para concluir se houve indução ou instigação.

– Queremos saber se houve auxílio, instigação no momento da morte. Estamos tentando saber com quem ele conversou e o que o levou a ir até a ponte naquele dia – afirma a delegada, a terceira a conduzir o caso desde que o corpo de Cavalcante foi localizado junto a uma pilastra da Ponte Juscelino Kubitschek, na manhã de 17 de fevereiro.

A quebra de sigilo foi decretada pelo juiz Germano Oliveira Henrique de Holanda, do Tribunal do Júri de Brasília, após parecer favorável do promotor Marcelo Leite. O pedido havia sido solicitado em março pelo delegado Aélio Caracelli.

A polícia deve ouvir ainda mais pessoas próximas do ex-assessor e aguarda uma resposta do Ministério Público Federal que elucide a dúvida sobre um suposto acordo para delação premiada envolvendo investigações de corrupção no Estado. No entanto, a delegada argumenta que não há evidências que comprovem que a causa da morte tenha relação com questões políticas.

– A gente não teve muito tempo de se debruçar sobre o trabalho porque o inquérito ficou muito tempo parado na Justiça. Agora queremos concluí-lo em 30 dias – justifica a Naíce

Boa parte das expectativas da polícia estava depositada nos laudos da necropsia. Contudo, os exames do IML de Brasília, um dos mais modernos do país, sequer atestaram o afogamento de Cavalcante. Diretor do instituto, o médico legista Malthus Galvão admite a placidez das análises laboratoriais, mas diz que a solução do caso não é atribuição do órgão.

– O laudo não ajuda em nada, mas aqui a gente só dá a causa científica da morte quando é possível – desabafa Galvão.

FÁBIO SCHAFFNER E RODRIGO ORENGO | Brasília
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