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21 de abril de 2009 | N° 15946AlertaVoltar para a edição de hoje

Pioneiro aponta risco à preservação ambiental

Personagem fundamental da substituição da palavra “rio” por “lago” para designar o Guaíba, o professor de Geologia Rualdo Menegat afirma que a legislação coloca em risco o patrimônio ambiental de Porto Alegre.

Coordenador geral do Atlas Ambiental de Porto Alegre, publicação de 1998 em que a prefeitura se baseia para considerar que a Capital está às margens de um lago, Menegat defende que o Guaíba é mais frágil do que os rios e que que por isso merece uma proteção maior.

O professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) observa que, para um corpo de água ser considerado rio pelas regras da hidrografia, ele precisa ter as margens paralelas. O Guaíba não se encaixa na definição. Ele tem pontas e enseadas, segundo Menegat, inexistentes em qualquer rio do mundo. Já um lago se carateriza por permitir a permanência da água. Segundo os estudos do professor, 85% das águas do Guaíba ficam retidas.

– O rio é uma mangueira, e o lago é um tanque – exemplifica.

Segundo o professor, a estiagem recente que deixou o Guaíba verde por causa de uma proliferação de algas tornou explícita sua condição lacustre. Como parou de entrar água pelos afluentes, ele ficou com a água parada, permitindo a multiplicação das algas. Menegat diz que a rejeição do Guaíba como lago decorre de um desconhecimento:

– Lagos são corpos de água cercados de terra. Mas isso não quer dizer que não possam ter aberturas para escoamento. Quem defende muito a ideia de o Guaíba ser um rio são engenheiros, que se prendem à noção de curso de água, mas existir um curso de água não é o que define um rio.

O fato de ser um lago, alerta o professor, significa que ele é mais vulnerável do que um rio, porque os poluentes despejados ficam depositados. A contaminação torna-se cumulativa. Por esse motivo, a área de preservação deveria ser mais extensa do que a prevista para os rios. Para Menegat, a legislação é negligente por contrariar essa lógica.

– Mas não é porque a lei é negligente que vamos mudar a geografia e dizer que o Guaíba é um rio.

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