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A figura de Xico Stockinger, carismática e generosa, sua personalidade forte e afirmativa, sua importância decisiva no cenário local já foram tantas vezes saudadas – e com razão – que, eventualmente, se perde de vista sua obra escultórica propriamente dita.
O artista que o Rio Grande do Sul perdeu neste domingo ajudou a fixar a arte moderna no Estado. Em meados dos anos 1950, ele fez o caminho inverso do tradicional – da metrópole (o Rio, então capital federal do país) para a província. Depois do aprendizado com Bruno Giorgi e das referências iniciais em Rodin e Maillol, Xico voltou-se para Henry Moore, Giacometti e Brancusi. Esteve atento a uma revalorização da escultura primitiva sugerida por aqueles mestres europeus, revalorização filtrada por um viés humanista e por uma figuração livre.
Suas primeiras peças a chamar maior atenção maior e que ajudaram a configurar um novo campo escultórico no Estado, um campo moderno, foram os seus guerreiros e profetas, além dos
touros, cavalos e algumas
personagens femininas. Havia, e pouco a pouco foi se afirmando ainda com maior interesse, uma opção pelo grotesco. Nas suas representações de guerreiros (de braços desproporcionadamente curtos), de cavalos e touros (de patas minúsculas), os troncos eram feitos de madeira bruta e a eles se agregavam peças de ferro e metal. Interessava aqui uma contundência de forma e conteúdo, intimamente imbricados.
A marca posterior do artista, que nunca deixou aquelas figuras, estaria talvez em um certo ecletismo de materiais: homens e mulheres em bronze, cactus em ferro, retratos em barro. Na pedra, ele seria talvez mais feliz, declaradamente abstrato, seguindo a sensualidade sugerida pelo próprio material, inventando, além das curvas mais óbvias, as imprevisíveis dobras.
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