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13 de abril de 2009 | N° 15937AlertaVoltar para a edição de hoje

Morreu Xico, o guerreiro

Morreu ontem, em casa, o escultor Xico Stockinger, aos 89 anos. O escultor austríaco, naturalizado brasileiro, dormia sozinho em seu quarto quando familiares perceberam, próximo das 21h30min, que Stockinger falecera. A causa do óbito não havia sido confirmada até a noite de ontem. O velório está previsto para as 8h de hoje no Museu de Artes do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Margs).

Xico tinha saúde frágil, sofria de diabetes e cardiopatias, mas não parecia disposto a morrer. Eram assombrosos tanto a sua disposição quanto o seu humor. Sobre as dezenas de safenas e mamárias que carregava no peito, gostava de repetir em tom de pilhéria:

– Sou uma Veneza.

A grande marca que ele deixa diz respeito, talvez em iguais medidas, à força de sua presença no cenário artístico do Rio Grande do Sul, à marca expressionista que ele ajudou a cunhar e à sua persistência como criador.

Nascido em Traun, na Áustria, educado em São Paulo, ele se iniciou na arte no Rio de Janeiro, mas escolheu Porto Alegre para viver e trabalhar. No Rio Grande do Sul, esteve ligado à fundação do Atelier Livre da prefeitura e à consolidação do Margs, atuou em diferentes frentes, sempre congregando e articulando grupos.

Como artista, trabalhando em diferentes linguagens, da caricatura à xilogravura, mas sobretudo na escultura (em bronze, pedra, ferro e madeira), foi figura decisiva na fixação de certa vertente da arte moderna, em especial aquela ligada ao expressionismo.

Ficaram célebres seus guerreiros que combinavam troncos de árvores e peças de ferro. Surgidos aos tempos da ditadura militar no Brasil, logo foram identificados como ícones da resistência.

Às vésperas de completar 90 anos, Xico mantinha-se fidelíssimo à urgência de produzir. Dedicava as manhãs e as tardes, diariamente, à lida com o barro, a pedra, a madeira, a cera, o gesso, os metais. À noite, desenhava. Não frequentava muitas festas (o vinho estava proibido pelo médico) e já evitava os vernissages.

Tinha sempre alguma tirada bem-humorada para comentar a surdez que lhe fazia companhia há quase meio século:

– Sou um surdo convicto.

eduardo.veras@zerohora.com.br

EDUARDO VERAS
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