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Por ter chamado o árbitro Carlos Simon de ladrão, o jornalista, escritor e historiador Eduardo Rômulo Bueno, Peninha, terá que desembolsar quase R$ 15 mil a título de indenização e custos processuais. A sentença condenatória foi proferida pela juíza Nara Helena Batista no último dia oito, quarta-feira. A transgressão do Peninha está contida no seu livro Grêmio, Nada Pode Ser Maior.
- Nara Helena argumenta que chamar o árbitro de ladrão durante ou após um jogo é diferente de escrever em um livro. O escritor defende-se alegando que a paixão envolvida permite visões distorcidamente parciais, típica das paixões.
- O Peninha é uma das cabeças mais brilhantes que conheço. Espírito mordaz e debochado, não se impõe limites quando está em discussão o Grêmio, por quem é cegamente apaixonado. Não preciso lembrar que se trata de um dos maiores sucessos editoriais do país. Além de talentoso e irreverente, o Peninha é um amigo afetuoso e um colega muito querido. Quase dói na minha conta bancária o seu prejuízo.
- Ninguém se atreverá a negar o direito de Carlos Simon buscar na Justiça reparação por dano moral que julgou ter sofrido. Em uma sociedade que se pretende civilizada, é assim que se deve proceder. Sou capaz de imaginar o Simon sendo interpelado em outro país por alguém que tenha lido o livro do Peninha. Ou de simular uma discussão, no futuro, entre descendentes do árbitro e do escritor, sobre a acusação contida no livro. Mas tampouco posso ignorar que o Peninha nunca quis imputar ao Simon o crime que está descrito no Código Penal.
- Para que se tenha noção de como a mente iluminada de Eduardo Bueno é influenciada pelo seu desamor ao Inter e delirante paixão pelo Grêmio, no último dia quatro, ele publicava no site Grêmio Copero um artigo carregado de ironias contra o rival vermelho. Peninha não suportou a festa de aniversário do colorado e, mandando às favas cavalheirismo e/ou espírito desportivo, tascou um eito de provocações que termina assim:
- Cem anos se passaram e, ao longo de todo esse século, em nenhum só minuto, em nenhum só jogo, em qualquer canto desse planeta azul, deixaste de estar decidido a imitar nossas façanhas, que aliás sempre serviram de modelo à toda a Terra. Teu fervor é comovente e só pode nos encher de orgulho. Continues tentando, caro Inter, e com a fibra típica do gaúcho que és embalado pelo exemplo do incansável encarnado Vinholes, , haverás um dia de chegar lá. Afinal, bem sabes hoje, cem anos passam num tapa.
- Peninha teria minha total solidariedade se não existissem milhares de tresloucados incapazes de perceber a intenção brincalhona contida no seu escrito, realidade que devemos, cada vez mais, levar em conta quando escrevemos ou falamos.
- BLOG DO FERNANDÃO Esta coluna publicou breve trecho de texto publicado pelo ex-capitão colorado e choveram pedidos para que fosse informado o endereço do blog do Fernandão. Com a ajuda o amigo Mateus Carilho, aí vai: http://www.fernandaof9.com.br/blog