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11 de abril de 2009 | N° 15935AlertaVoltar para a edição de hoje

  • Condenação

    Por ter chamado o árbitro Carlos Simon de ladrão, o jornalista, escritor e historiador Eduardo Rômulo Bueno, Peninha, terá que desembolsar quase R$ 15 mil a título de indenização e custos processuais. A sentença condenatória foi proferida pela juíza Nara Helena Batista no último dia oito, quarta-feira. A transgressão do Peninha está contida no seu livro Grêmio, Nada Pode Ser Maior.

    - Nara Helena argumenta que chamar o árbitro de ladrão durante ou após um jogo é diferente de escrever em um livro. O escritor defende-se alegando que “a paixão envolvida permite visões distorcidamente parciais, típica das paixões”.

    - O Peninha é uma das cabeças mais brilhantes que conheço. Espírito mordaz e debochado, não se impõe limites quando está em discussão o Grêmio, por quem é cegamente apaixonado. Não preciso lembrar que se trata de um dos maiores sucessos editoriais do país. Além de talentoso e irreverente, o Peninha é um amigo afetuoso e um colega muito querido. Quase dói na minha conta bancária o seu prejuízo.

    - Ninguém se atreverá a negar o direito de Carlos Simon buscar na Justiça reparação por dano moral que julgou ter sofrido. Em uma sociedade que se pretende civilizada, é assim que se deve proceder. Sou capaz de imaginar o Simon sendo interpelado em outro país por alguém que tenha lido o livro do Peninha. Ou de simular uma discussão, no futuro, entre descendentes do árbitro e do escritor, sobre a acusação contida no livro. Mas tampouco posso ignorar que o Peninha nunca quis imputar ao Simon o crime que está descrito no Código Penal.

    - Para que se tenha noção de como a mente iluminada de Eduardo Bueno é influenciada pelo seu desamor ao Inter e delirante paixão pelo Grêmio, no último dia quatro, ele publicava no site Grêmio Copero um artigo carregado de ironias contra o rival vermelho. Peninha não suportou a festa de aniversário do colorado e, mandando às favas cavalheirismo e/ou espírito desportivo, tascou um eito de provocações que termina assim:

    - “Cem anos se passaram e, ao longo de todo esse século, em nenhum só minuto, em nenhum só jogo, em qualquer canto desse planeta azul, deixaste de estar decidido a imitar nossas façanhas, que aliás sempre serviram de modelo à toda a Terra. Teu fervor é comovente e só pode nos encher de orgulho. Continues tentando, caro Inter, e com a fibra típica do gaúcho que és – embalado pelo exemplo do incansável encarnado Vinholes, –, haverás um dia de chegar lá. Afinal, bem sabes hoje, cem anos passam num tapa”.

    - Peninha teria minha total solidariedade se não existissem milhares de tresloucados incapazes de perceber a intenção brincalhona contida no seu escrito, realidade que devemos, cada vez mais, levar em conta quando escrevemos ou falamos.

    - BLOG DO FERNANDÃO – Esta coluna publicou breve trecho de texto publicado pelo ex-capitão colorado e choveram pedidos para que fosse informado o endereço do blog do Fernandão. Com a ajuda o amigo Mateus Carilho, aí vai: http://www.fernandaof9.com.br/blog


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