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12 de janeiro de 2009 | N° 15846AlertaVoltar para a edição de hoje

Jovens onde falta jovem

O coração dos rapazes de Benjamin Constant do Sul precisa cruzar os limites do município para disparar. O esvaziamento populacional que destroçou a juventude local nesta década foi de intensidade redobrada entre as mulheres. Na faixa de 20 a 24 anos, a proporção tornou-se de menos de uma para cada dois homens. Para namorar, os raros rapazes têm de pegar no volante, encarar estradas de chão batido e levar seus galanteios a municípios vizinhos. Vale o mesmo para os outros divertimentos. Os bailes estão a 20, 50, até cem quilômetros.

– Dá para contar nos dedos os da minha idade. Gurias, há pouquíssimas, e as que ficaram são comprometidas – afirma Josimar Solducha, 21 anos, que namora uma jovem de Faxinalzinho residente em Chapecó (SC).

Solducha tem um dos escassos empregos urbanos no município. Trabalha no posto de combustíveis. É na lancheria do estabelecimento que se reúne duas ou três vezes por semana com os amigos que não foram embora para um dos raros passatempos locais: jogar bisca, cacheta e truco. Um dos integrantes do grupo é Diego de Cezaro, 21 anos, que mora com a mãe funcionária pública e não tem trabalho. Para não ficar no ócio, às vezes ajuda o tio em uma agropecuária.

– É só para não ficar sem ter o que fazer. Para matar o tempo, fico por aí, vejo TV, dou uma volta, jogo futebol – conta o rapaz.

Rapazes e moças reclamam de falta do que fazer na cidade de onde os amigos se foram

Benjamin foi o segundo município que mais perdeu população no Estado. A rapaziada sumiu. A paróquia local teve de extinguir o grupo de jovens por falta de jovens. Como nos outros municípios que encolheram, a pirâmide etária sofreu um estreitamento acentuado na faixa dos 20 anos. Entre 20 e 24 anos, somando área rural e urbana, resistem 178 pessoas. Elas reclamam de tédio.

– Tem dias em que não entra ninguém na loja – relata Cristiane Rampanelli, 25 anos, funcionária de um comércio de móveis.

Do outro lado da rua, Danimar D’Agostini, 21 anos, funcionário dos Correios, mulher importada de Faxinalzinho, atravessa a mesma pasmaceira. Os clientes são raridade:

– Na maior parte do tempo, não faço nada. O tempo demora para passar. É tedioso.

Integrante do grupo de baralho, Agomar Carvalho, 26 anos, namorada em Faxinalzinho, perdeu 25 dos 30 amigos de Ensino Médio para cidades maiores. Reclama que o celular não pega, a internet recém-apareceu e a única diversão, rodeios, ocorrem a cada seis meses. Numa manhã recente, reuniu-se ao redor do carteado, no posto de combustíveis, com os amigos Cezaro, Solducha e D’Agostini.

– Estão aí as mulheres da cidade – brincou Solducha, apontando as beldades de biquíni nos cartazes com propaganda de cerveja afixados na parede da lancheria.

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