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11 de janeiro de 2009 | N° 15845AlertaVoltar para a edição de hoje

O impacto dos migrantes

Marcelo Martinez, 28 anos, Ensino Médio incompleto e um ano de desemprego, desce na rodoviária de Caxias do Sul e percorre a cidade desconhecida para distribuir uma pilha de currículos. Uma hora e 40 minutos depois, quando se senta para descansar, o celular toca. É a primeira de uma série de ofertas de emprego.

Dias depois, a mulher dele, Chaiana Ramos Steinstrasser, 23 anos, faz algumas trufas na cozinha de casa e leva-as para degustação em um supermercado da cidade. O gerente se encanta e na mesma hora a contrata como confeiteira.


Em gráfico, veja o novo mapa demográfico do
Estado e consulte a variação populacional
em todos os municípios gaúchos



O sucesso meteórico do casal, que deixou Alegrete por falta de perspectivas em agosto de 2006, é um pequeno retrato da usina de oportunidades em que Caxias do Sul transformou-se ao longo da última década, sugando migrantes de todas as partes do território gaúcho. Em cinco anos, de 2000 a 2005, o PIB da cidade quase dobrou, passando de 5,1% da riqueza do Estado para 5,8%.

Migração repercute nos serviços públicos de Caxias

Robustecida por migrantes em um Estado onde a maioria dos municípios perde população, Caxias viu a sua população aumentar a um ritmo três vezes superior à média do Estado. Foram 38,6 mil habitantes a mais entre 2000 e 2007 – meia Livramento –, um aumento de quase 11%. A fisionomia caxiense mudou. Loteamentos pipocam ao redor da cidade, repletos de variados sotaques gaúchos. O Monte Reale, um dos bairros mais novos, está em pleno desbravamento.

Na organizada Caxias, é como entrar em uma versão inacabada da cidade. As centenas de moradores espalham-se por sobrados ainda em construção ou sem pintura, espalhados por ruas desprovidas de pavimentação e de serviços, como correio.

A avalanche de recém-chegados pesa nos serviços públicos. No albergue municipal, eles são a maioria. De janeiro a julho, ficaram abrigados no local 451 forasteiros, contra 160 moradores de rua. Muitos dos que migram são indigentes. Chegam sem dinheiro, documentos ou qualificação.

– Caxias tem emprego, mas para quem é qualificado. Alguns não conseguem trabalho e querem voltar para casa. Oferecemos a passagem de ônibus e a mudança – conta Maria de Lurdes Grison, presidente da Fundação de Assistência Social do município.

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