Confira os profissionais que assinam os projetos desta edição do caderno Casa&Cia
Material curinga está presente em áreas da Mostra Casa&Cia Praia
Marcelo Martinez, 28 anos, Ensino Médio incompleto e um ano de desemprego, desce na rodoviária de Caxias do Sul e percorre a cidade desconhecida para distribuir uma pilha de currículos. Uma hora e 40 minutos depois, quando se senta para descansar, o celular toca. É a primeira de uma série de ofertas de emprego.
Dias depois, a mulher dele, Chaiana Ramos Steinstrasser, 23 anos, faz algumas trufas na cozinha de casa e leva-as para degustação em um supermercado da cidade. O gerente se encanta e na mesma hora a contrata como confeiteira.
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Em gráfico, veja o novo mapa demográfico do
Estado e consulte a variação populacional
em todos os
municípios gaúchos
O sucesso meteórico do casal, que
deixou Alegrete por falta de perspectivas em agosto de 2006, é um pequeno retrato da usina de oportunidades em que Caxias do Sul transformou-se ao longo da última década, sugando migrantes de todas as partes do território gaúcho. Em cinco anos, de 2000 a 2005, o PIB da cidade quase dobrou, passando de 5,1% da riqueza do Estado para 5,8%.
Migração repercute nos serviços públicos de Caxias
Robustecida por migrantes em um Estado onde a maioria dos municípios perde população, Caxias viu a sua população aumentar a um ritmo três vezes superior à média do Estado. Foram 38,6 mil habitantes a mais entre 2000 e 2007 – meia Livramento –, um aumento de quase 11%. A fisionomia caxiense mudou. Loteamentos pipocam ao redor da cidade, repletos de variados sotaques gaúchos. O Monte Reale, um dos bairros mais novos, está em pleno desbravamento.
Na organizada Caxias, é como entrar em uma versão inacabada da cidade. As centenas de moradores espalham-se
por sobrados ainda em construção ou sem
pintura, espalhados por ruas desprovidas de pavimentação e de serviços, como correio.
A avalanche de recém-chegados pesa nos serviços públicos. No albergue municipal, eles são a maioria. De janeiro a julho, ficaram abrigados no local 451 forasteiros, contra 160 moradores de rua. Muitos dos que migram são indigentes. Chegam sem dinheiro, documentos ou qualificação.
– Caxias tem emprego, mas para quem é qualificado. Alguns não conseguem trabalho e querem voltar para casa. Oferecemos a passagem de ônibus e a mudança – conta Maria de Lurdes Grison, presidente da Fundação de Assistência Social do município.
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