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11 de janeiro de 2009 | N° 15845AlertaVoltar para a edição de hoje

Reencontro na Serra

Famílias desfeitas no Pampa estão se recompondo na Serra. Cada novo migrante que se firma na região traz um parente, que chama outro, que dá uma força a um terceiro, em uma corrente interminável que está reassentando clãs inteiros. Para os parentes do santanense Luis Otávio Ribeiro, 28 anos, já faz tempo que se transferir de Livramento para Caxias deixou de representar distância da família. Agora significa ficar mais perto. Estão quase todos lá.

Ele e a mulher, Aline Vasconcellos, 28 anos, podem ser vistos como desbravadores. Há seis anos, desistiram dos salários minguados da fronteira e foram para Porto Alegre. A Capital não foi generosa. Passados dois anos, tentaram Caxias. Depois de um mês e meio, Aline trabalhava pela primeira vez em sua área de formação, Comércio Exterior. Em seis meses, eles compravam uma casa de dois pisos, três quartos e garagem em um bairro de classe média.

Quem não migrou se ressente da distância

O primeiro parente que importaram de Livramento foi Maurice Alves Clips, 40 anos, que perdera o posto de gerente em um supermercado e não conseguia recolocação. Mal chegou, começou a trabalhar no mesmo cargo por um salário seis vezes maior. Chamou a mulher e os dois filhos e recrutou para trabalhar com ele mais seis pessoas.

A rede montada para acolher e encaminhar a parentada na Serra já trouxe mais de 20 pessoas – até a mãe Luis Otávio conseguiu importar. O mais recente na cidade é o primo Osmar Luis Flores, 31 anos. Em janeiro, foi passar um fim de semana com os parentes em Caxias. Nunca mais voltou. Na terça-feira seguinte, já estava empregado e tinha, pela primeira vez, carteira assinada.

– Emprego não falta. O difícil é conseguir casa para alugar – diz Luis Otávio.

Quem não migrou se ressente da distância da família. Em Livramento, até outubro, havia apenas cinco parentes de Aline, entre eles a prima Quênia Maciel, 42 anos, desempregada por mais de um ano. Desanimada e com saudade dos que se foram, Quênia pretendia dar uma chance a Livramento até dezembro. Não aguentou. Há pouco mais de um mês, transferiu-se para a Serra com o filho e desfalcou em mais duas pessoas o contingente da família no Pampa. Empregou-se em poucos dias.

– Livramento é a cidade do “tinha”: tinha indústria, tinha cinema, tinha boate. Agora não tem nada. Só tem aposentados, professores e gente com campo. Morreu – diz ela.

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