Confira os profissionais que assinam os projetos desta edição do caderno Casa&Cia
Material curinga está presente em áreas da Mostra Casa&Cia Praia
O futuro do sul do Rio Grande está plantado em fileiras infinitas de árvores que pintam de verde a paisagem. Na carona dos pés de acácias, pinus e eucaliptos, já surgiram 2 mil empregos e há expectativa de outros 3,4 mil. Agora, a crise mundial que estancou investimentos na região faz surgir uma nuvem de desconfiança. Mas, ainda assim, o chamado ouro verde continua sendo a grande aposta de um futuro promissor.
Para o economista da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) Erli Massaú, o incremento de 120% da arrecadação de impostos na zona sul do Estado entre 2004 e 2007 prova que a região já colhe frutos dos investimentos em florestamento. Conforme Massaú, a perspectiva é de que os investimentos cheguem a R$ 6,1 bilhões até 2015.
O economista observa que a celulose, por seu valor agregado, tem o poder de acelerar o desenvolvimento regional. Mas esta segunda etapa do processo vai ter de esperar mais um pouco: no início de outubro, a Votorantim Celulose e Papel (VCP)
anunciou “por tempo ainda
não definido” o adiamento da fábrica que seria instalada na região e planejada para entrar em atividade em 2011. Apesar do adiamento, classificado por Massaú como “uma postura coerente diante da crise econômica internacional”, o especialista acredita que o investimento se concretizará.
Partilha da opinião o engenheiro florestal e professor da Universidade Federal de Pelotas Darci Gatto. Para ele, nem mesmo o recuo da VCP poderá frear o desenvolvimento que brotará das florestas.
– Se a floresta não for capaz de desenvolver a Metade Sul, não acredito que outra coisa consiga fazê-lo – sentencia Gatto.
O engenheiro florestal e professor da Universidade Federal de Santa Maria José Américo de Mello Filho enxerga ainda um outro benefício das florestas para a região:
– A existência dessa base florestal pode garantir o surgimento, na região, de um novo parque industrial moveleiro no Rio Grande do Sul.
Antes desse futuro
chegar, a região sente e prevê o crescimento. Em Cerrito, o
pecuarista José Luís Caldeira planta mudas de eucalipto na Agropecuária Vale Verde há dois anos e oito meses. Já no município de Piratini, vê-se um exemplo de como a exploração de florestas pode mudar uma comunidade. Os 70 mil hectares cultivados com acácia negra, pinus e eucalipto pela empresa Tanac S.A. ocupam hoje 2 mil trabalhadores e fazem o dinheiro circular na cidade de 20 mil habitantes.
– Estamos entusiasmados. O comércio e o setor de serviços se desenvolvem para atender às demandas e dão origem a um ciclo – anima-se o prefeito Francisco Luçardo (PSDB).
alvaro.guimaraes@zerohora.com.br
| PREPARE-SE |
| Até 2015, os investimentos devem chegar a R$ 6,1 bilhões |
| A base florestal que está nascendo na região pode levar ao surgimento de um novo pólo moveleiro no Estado |
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