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Acabou em pancadaria o protesto de moradores da Vila Nazareth, na zona norte de Porto Alegre, realizado na Avenida Sertório contra a Brigada Militar na tarde de ontem. Portando faixas e cartazes, eles acusavam um soldado da corporação de ter executado com um tiro na nuca o biscateiro Flávio Saldanha da Silva, 27 anos, morto na terça-feira.
Após bloquear a via por 45 minutos no sentido bairro-Centro, os manifestantes foram retirados da via pelo Pelotão de Operações Especiais do 20º Batalhão de Polícia Militar (20º BPM) que usou a força para dispersar os moradores.
– Atirar com balas de borracha contra mulheres com crianças no colo. Como pode isso? – desabafa Rosane Lopes, 25 anos.
O filho de quatro anos da diarista foi atingido na cabeça por uma das balas de borracha e foi levado ao Hospital Cristo Redentor onde acabou medicado. Ele foi uma dos cinco moradores feridos.
– Mesmo com ele no colo, ainda fui chutada – lembra
Rosane.
Organizadora do protesto e mulher do
biscateiro morto, Lisiane da Silva, 25 anos, também diz ter sido agredida a pontapés. Segundo ela, a idéia era permanecer no local por uma hora e em seguida liberar o transito.
– Não respeitaram nem as senhoras de idade que carregavam faixas pedindo Justiça – reclama Lisiane.
O tenente-coronel Florivaldo Pereira Damasceno, do 20º BPM, nega que os PMs tenham se excedido. Segundo ele, foram disparados sete tiros com bala de borracha, sempre em direção ao solo, após se esgotar a negociação para que os moradores liberassem a avenida.
– Eles não queriam desobstruir a via. Fizemos um cordão de PMs e tentamos com ele empurrar os manifestantes. Foi um uso moderado da força para garantir a ordem pública, pois a avenida já estava totalmente congestionada – explica.
Sobre as imagens do fotógrafo de Zero Hora Valdir Friolin em que PMs aparecem batendo com cacetetes em manifestantes que, aparentemente, não esboçavam reação, Pereira
argumenta:
– Jogaram pedras nos soldados. Em um
determinado momento, um morador resistiu e agrediu PMs, o que gerou a confusão.
Questionado sobre a investigação da morte do biscateiro, o comandante do 20º BPM confirmou que o soldado que baleou Silva está afastado do policiamento ostensivo. Dois inquéritos, um aberto pela BM e outro pela Polícia Civil, apuram a circunstância da morte. Na versão do soldado, Silva estava armado com uma pistola e teria atirado contra policiais antes de ser atingido com um tiro na cabeça.
francisco.amorim@zerohora.com.br
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