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06 de novembro de 2008 | N° 15781AlertaVoltar para a edição de hoje

Delegado manda soltar jovem flagrado em roubo

Decisão de policial indignou dono de posto de combustíveis que se diz alvo constante de assaltantes

Ao decidir por telefone soltar um suspeito preso pela Brigada Militar após assalto, um delegado plantonista irritou o dono de um posto de combustíveis atacado na madrugada de ontem, em Esteio.

Suspeito de integrar a dupla que atacou o posto no centro de Esteio, às 2h30min, José Luiz da Silveira da Silva Júnior, 20 anos, em liberdade provisória desde 9 de setembro, foi localizado pela BM com 40 maços de cigarros roubados e R$ 100 a seis quadras do posto.

Levado para a Delegacia da Polícia Civil de Esteio, ele foi liberado pelo delegado Paulo Florentino Machado, plantonista da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento de Canoas, apesar de o assalto ter sido a mão armada e o comparsa do suspeito ter atirado contra o frentista quando a vítima se refugiou no banheiro. No entendimento do delegado, o valor roubado seria pequeno para justificar a autuação em flagrante.


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– Meu funcionário reconheceu o assaltante. Além disso, as imagens das câmeras mostram o rosto dele. Como pode continuar solto? É o segundo roubo de que somos vítimas em dois dias – desabafou o proprietário do posto, Carlos Eduardo Dias.

Conforme o diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), Cléber Ferreira, no momento da prisão, o delegado Machado estava em Eldorado do Sul, onde autuava três homens que participaram de um assalto. Ele teria tomado a decisão de soltar o suspeito preso em Esteio e abrir inquérito para investigá-lo após ser avisado pelo telefone do caso por um agente plantonista da DP de Esteio.

– Talvez tenha ocorrido algum erro de comunicação. Precisamos apurar. Se foi identificado pela vítima e estava com o fruto do roubo, acho que o suspeito deveria ter sido preso – opina Cléber, que determinou a abertura de um sindicância para apurar o caso.

Para manter o suspeito solto, o delegado teria feito uso do princípio da insignificância ou da bagatela, que não é previsto em lei, mas consolidado em decisões judiciais. Conforme o professor de Direito Penal Rodrigo Moraes de Oliveira, da Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), a aplicação desse princípio pode evitar que alguém seja levado para a cadeia por subtrair algo de pequeno valor, mas geralmente usado em casos de furtos.

– Acredito que o princípio não deva ser usado quando se trata de assalto, no qual há grave ameaça e a vida da vítima é colocada em risco – avalia o professor.

Zero Hora não localizou o delegado Machado até a noite de ontem. O telefone celular e de sua residência não foram fornecidos pela Polícia Civil.

francisco.amorim@zerohora.com.br

FRANCISCO AMORIM
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