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17 de outubro de 2008 | N° 15761AlertaVoltar para a edição de hoje

Confrontos e feridos na Capital

Brigada Militar usou cassetetes em manifestações realizadas no Centro

Porto Alegre esteve sob tensão ontem, quando o Centro se tornou palco de dois confrontos entre a Brigada Militar e movimentos de trabalhadores. Pelo menos 22 pessoas teriam ficado feridas – 20 manifestantes e dois PMs.

Pela manhã, um protesto de bancários em greve terminou em pancadaria na Praça da Alfândega (leia ao lado). À tarde, foi a vez de integrantes da Marcha do Sem, manifestação organizada pelas centrais sindicais, enfrentarem os PMs em frente ao Palácio Piratini.

Depois de passarem pelo Centro Administrativo do Estado, os grupos de sindicalistas e dos movimentos ligados à Via Campesina se dirigiram, por volta das 15h30min, ao Palácio, onde fariam o último ato contra o governo Yeda Crusius. Quando chegaram à Praça da Matriz, encontraram um efetivo de 300 PMs fortemente esquipados, com cavalos, cachorros e motos.

O clima de tensão foi desencadeado quando o Batalhão de Operação Especiais (BOE) fez um cordão de isolamento e impediu o caminhão de som de seguir até a frente do Piratini. Quando o veículo, que estava na Rua Espírito Santo, acelerou, tentando entrar na Rua Duque de Caxias, o BOE avançou para impedi-lo. Nesse momento, conforme a BM, um policial foi atingido no braço pelo veículo.

Começou, então, o empurra-empurra, que culminou no confronto. Policiais com cassetetes e escudos partiram para cima dos manifestantes. Três bombas de efeito moral foram lançadas. Balas de borracha também teriam sido usadas. Os trabalhadores responderam jogando pedaços de paus das bandeiras e pedras.

Segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT), pelo menos 10 pessoas se feriram. Uma delas foi o professor de Rio Grande Enilson Silva, que ficou com um corte no pescoço.

– Foi muita covardia. Tudo isso só para mostra força – afirmou.

Com o recuo dos manifestantes, a BM ainda permaneceu durante meia hora impedindo a passagem do veículo. Só depois da intervenção de uma comissão de deputados, o caminhão pôde seguir até a frente do Palácio, onde a governadora recebia comitivas do interior do Estado.

Ouvidor pretende encaminhar queixa à corregedoria da BM

Por causa das ações contra os bancários e a Marcha do Sem, o comandante-geral da BM, coronel Paulo Roberto Mendes, que estava presente no confronto da tarde, foi hostilizado pelos sindicalistas e integrantes dos movimentos sociais.

– Nós íamos terminar o ato e ele mandou impedir a passagem do caminhão. Não tinha necessidade disso. O comandante forçou o confronto – lamentava o presidente da CUT, Celso Woyciechowski.

O ouvidor-geral da Segurança Pública, Adão Paiani, pretende encaminhar as queixas à Corregedoria da BM, para que eventuais excessos sejam punidos.

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