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Cinema brasileiro é sinônimo de mulher pelada e palavrão. A afirmação reforça um estereótipo que parece hoje tão datado quanto as pornochanchadas dos anos 1970 exumadas pelo Canal Brasil, mas o tema voltou à tona na voz do ator Pedro Cardoso.
Semana passada, durante o Festival do Rio, Cardoso fez um discurso no qual afirmou que “tirar a roupa não é uma exigência do ofício de ator, e sim da indústria da pornografia”. Destacou em seu manifesto que a nudez tornou-se “apenas um modo de atrair público”. A declaração foi respaldada por muitos colegas, sobretudo atrizes, as mais requisitadas a se exibirem sem roupa. Mas a opinião geral, no meio artístico, é a de que não se pode generalizar. Há pouco, por exemplo, Leandra Leal foi vista em seu mais elogiado desempenho como protagonista do filme Nome Próprio, no qual aparece nua.
– Se as cenas de nudez fossem algo problemático, não poderia fazer esse filme. Era uma condição para fazê-lo – disse Leandra à ZH à época do
lançamento, referindo-se ao fato
de sua problemática personagem se despir física e emocionalmente em cena.
O cineasta gaúcho Jorge Furtado, que dirigiu Cardoso no longa O Homem que Copiava, diz que o ator exagerou por uma boa causa:
– Não concordo quando ele afirma que quem fica nu é sempre o ator e não o personagem. O que não pode haver é imposição por parte do diretor. Tem que ser algo conversado. Em O Homem que Copiava, tem uma cena do próprio Pedro com a Luana Piovani, e ela faz um nu apenas sugerido, mas dentro do contexto da história. Em Meu Tio Matou um Cara, a Deborah Secco aparece de biquíni, mas é uma cena fundamental, que traz todo o desfecho da história. E é um filme para o público jovem.
Furtado, aliás, comenta a polêmica em seu blog (www.casacinepoa.com.br).
O carioca Hugo Carvana também dirigiu Cardoso, na comédia escrachada A Casa da Mãe Joana, que traz Juliana Paes em cenas lânguidas de lingerie e Fernanda Freitas em uma aparição totalmente
nua.
– A cena da Fernanda foi feita com muito
respeito e precede um momento importante da narrativa. Entendo a posição do Pedro, em relação a nudez como fetiche, mas acho que tudo depende das circunstâncias. O que não pode é ser vulgar.
Cristiana Oliveira, revelada duas décadas atrás com a novela Pantanal, que usou e abusou da nudez das jovens protagonistas, concorda, como outras atrizes (leia ao lado), com o ponto central do manifesto de Cardoso, acerca da exploração do corpo feminino.
– Existe desconforto quando a gente sabe que a nudez está sendo utilizada para alavancar audiência. (Em Pantanal) Eu era ingênua, não ligava. Não discuti porque fazia parte do contexto. Mas quando comecei a fazer outras novelas, vi que não tinha necessidade, que eu estava sendo usada.
A atriz Paola Oliveira acaba de rodar o longa Entre os Lençóis, no qual contracena nua com Reynaldo Giannechini.
– Essa exposição é difícil, mas vem de um histórico do cinema brasileiro. A gente vem tentando
diminuir isso. Por ironia do destino, fiz um filme com
muita nudez. Negociei o que pude, mas me arrisquei.
| ZERO HORA.com |
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