Confira os profissionais que assinam os projetos desta edição do caderno Casa&Cia
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O tradicional almoço das quintas-feiras que reúne intelectuais e políticos da Capital no Restaurante Copacabana não contou ontem com um de seus participantes mais entusiasmados. O jornalista e escritor Luiz Pilla Vares, reconhecido justamente por agregar pessoas de diferentes tipos em torno de uma boa causa ou discussão, morreu na madrugada de ontem, aos 68 anos, vítima de insuficiência respiratória. Ele lutava contra uma pneumonia havia dois meses.
Foi essa capacidade de mobilizar pessoas, apontam os colegas, que tornou a gestão de Luiz Pilla Vares como Secretário Municipal da Cultura de Porto Alegre entre 1989 e 1997, nos governos de Olívio Dutra e Tarso Genro, uma das mais reconhecidas administrações públicas que a cidade já teve. Em sua gestão, foram criados o Fumproarte, financiamento público de fomento à produção cultural, e o festival Porto Alegre Em Cena.
– O Pilla era muito aberto e criou na Secretaria de Cultura um espaço muito favorável ao debate, ao trânsito
de idéias, à vinda de
personalidades importantes de cultura internacional – resume Sergius Gonzaga, atual titular da secretaria municipal de Cultura. – Ele trouxe Luís Augusto Fischer, Luciano Alabarse, Fernando Schüler para a administração. Sabia incorporar quadros jovens.
Gonzaga destaca também a produção intelectual de Pilla Vares:
– Seu ensaio no livro Nós, Os Gaúchos, sobre a Revolução Farroupilha, é muito bom. Ele é o primeiro homem de esquerda a tentar entender que a Revolução não era um movimento exclusivamente de estancieiros preocupados com o preço do charque.
A trajetória política de Luiz Pilla Vares iniciou-se ainda nos anos 60, na Faculdade de Direito da UFRGS. Começou militando no Partido Comunista Brasileiro, o PCB, aderindo às posições de Leon Trotsky e Rosa Luxemburgo. Ingressou em seguida no Partido Operário Revolucionário (POR) e depois na POLOP (Política Operária). Juntamente com Erich Sachs, Emir e Eder Sader, Marco Aurélio Garcia, Flávio Koutzii, Raul
Pont e outros, foi um dos
fundadores do POC (Partido Operário Comunista). Da época, lembra o ex-deputado Flávio Koutzii:
– Ele era um cara que lia correntemente em francês e inglês, estava sempre um pouco a nossa frente. Era um cara pouco conformista mesmo dentro da esquerda. E teve influência sobre nós todos.
Preso pela ditadura em 1970, Pilla Vares foi morar no Rio de Janeiro durante cerca de sete anos. De volta a Porto Alegre, dedicou-se ao jornalismo e se tornou editor do Segundo Caderno de Zero Hora. Atualmente mantinha uma coluna quinzenal no Segundo Caderno.
– Gostava de Noel Rosa, Cartola, Lupicínio. Adorava Carnaval e era colorado. Apreciava a cultura popular, mas também gostava de cinema. Era também sofisticado. Tinha o perfil que caracteriza o editor moderno de cultura – lembra o jornalista e crítico musical Juarez Fonseca.
Nos anos 80, ligou-se ao PDT de Leonel Brizola e, em seguida, ao Partido dos Trabalhadores, do qual chegou a ser presidente
municipal. Sentia especial orgulho de sua gestão
como secretário da Cultura em Porto Alegre, como manifestou em entrevista a Zero Hora, em 1998, ao assumir a Secretaria de Estado da Cultura do governo Olívio Dutra:
– Conseguimos resultados incríveis em 10 anos sem trabalhar com celebridades, mas com a comunidade cultural. Descobrimos autores, peças e artistas plásticos.
Natural de Porto Alegre, Luiz Pilla Vares mantinha relação estável com a professora Maria Lúcia Carneiro Pinto. Teve um filho, Angelo de Pila Vares, 35 anos, fruto do primeiro casamento com Sonia Bruggemann Pilla. Luiz Pilla Vares dirigiu as secretarias de Cultura municipal e estadual ZERO HORA.com Leia a última coluna de Luiz Pilla Vares publicada no Segundo Caderno em www.zerohora.com
| Principais livros |
| > O Anarquismo: Promessas de Liberdade (1992) (Síntese universitária) UFRGS |
| > O Pescador de Pérolas: Por Um Marxismo Vivo (1988) Tchê! Editora |
| > Socialismo e Liberdade (1985) Mercado Aberto |
| > Gramsci: Cem anos de um Pensamento Vivo (1991), com Luiz Marques (org.) Editora Palmarinca |
| > A Rosa Vermelha (1988) Coleção Sempre Viva / Busca Vida (SP) |
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