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30 de setembro de 2008 | N° 15744AlertaVoltar para a edição de hoje

Assentamentos do Incra lideram desmatamento

Lista do Ministério do Meio Ambiente constrangeu o próprio governo

Um documento divulgado ontem pelo Ministério do Meio Ambiente causou constrangimento dentro do próprio governo federal. Segundo a lista, seis assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), localizados no Mato Grosso, encabeçam a lista dos cem principais desmatadores do país. Outras duas áreas do instituto integram a relação.

O relatório, apresentado pelo ministro Carlos Minc, relaciona os principais vilões da floresta amazônica desde 2005. O grupo dos cem desmatadores provocou estragos em 5.225 quilômetros quadrados de mata – quase o equivalente à área territorial do município gaúcho de Uruguaiana. Desse total, 44% são terras do Incra. Por conta dessas agressões, o órgão agrário recebeu multas no valor de R$ 265,5 milhões do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

– Falta sustentabilidade ambiental na reforma agrária – afirmou Minc.

A divulgação do relatório provocou reação imediata do presidente do Incra, Rolf Hackbart, abrindo uma crise interna no governo. O dirigente considerou que anúncio ocorreu em hora imprópria.

– Vai servir para ataques à reforma agrária. É triste o país discutir a reforma (tendo o Incra) como o maior desmatador da Amazônia – afirmou.

Hackbart contrariou Minc ao afirmar que os desmatamentos ainda são da década de 90. Segundo ele, o órgão discorda das multas e já tratou de contestá-las. Ele aproveitou a polêmica para atacar o agronegócio.

– O maior desmatador do Brasil é o modelo econômico da agricultura e da pecuária. Mato Grosso é um mar de soja. Tem crime ambiental por todo o Estado – criticou.

Em razão das divergências, ficou em segundo plano o anúncio de que a área de floresta desmatada em agosto dobrou em relação a julho e atingiu 756,7 quilômetros quadrados. Como contraponto, Minc prometeu ações de combate ao crime ambiental (veja quadro acima).

Brasília
Promessas ambientais
Para combater as agressões à Amazônia, o ministério anunciou pacote que inclui a criação de:
CONSELHO INTERMINISTERIAL DE COMBATE AO DESMATAMENTO
Para combater as agressões à Amazônia, o ministério anunciou pacote que inclui a criação de:
Espécie de Comitê de Política Monetária (Copom) para a área ambiental, o órgão fará reuniões para estudar formas de conter desmatamentos.
FORÇA FEDERAL DE COMBATE A CRIMES AMBIENTAIS
Tropa (foto) com 3 mil homens, dará mais independência ao Ministério do Meio Ambiente, que não dependerá das polícias estaduais para operações.
PLANO DE PREVENÇÃO AO DESMATAMENTO
Estados que participarem do programa terão direito a receber recursos do Fundo da Amazônia, que deverá receber US$ 1 bilhão até 2015.

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