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30 de setembro de 2008 | N° 15744AlertaVoltar para a edição de hoje

Oasis de cara

A vida pode ser mais bela sem cerveja e cocaína. O rock’n’roll não. É o que crê Noel Gallagher, guitarrista do Oasis, a maior banda de rock britânica desde os Beatles. Em seu novo álbum, Dig Out Your Soul, o grupo reafirma o caminho que buscou para sair do buraco em que se meteu a partir do ano 2000. Quando o sucesso da década de 90 desapareceu, os irmãos Gallagher secaram a garganta e as narinas. Agora fazem rock “maduro”. Mas amadurecer nem sempre é uma opção – lição número dois do professor Noel.

O guitarrista e principal compositor da banda, autor de clássicos como Live Forever, Supersonic e Wonderwall, explica o brete:

– Antes de 1997, eu não tinha escrito nenhuma música sem a ajuda do velho combustível colombiano. Todos os três primeiros álbuns foram feitos sob efeito de drogas.

A declaração de Noel à revista norte-americana Spin que está nas bancas foi em resposta à pergunta “Qual grande música do Oasis não foi composta sob o efeito de drogas?”. Mas a resposta do guitarrista virou uma espécie de desabafo diante da pergunta que o mundo faz já há quase 10 anos, desde o lançamento do terceiro álbum da banda, Be Here Now (1997): por que o Oasis deixou de ser um hitmaker e se tornou apenas uma ótima banda de rock? Noel prossegue o exorcismo:

– Todos aqueles álbuns, e todas as b-sides foram feitos sobre o efeito de drogas. Por isso elas são tão boas. Isso me deixa puto. Eu penso: “Talvez eu deva voltar a me drogar, aí eu volte a ser brilhante de novo”. Mas essa idéia dura menos de um segundo.

Segundo suficiente para passar pela cabeça de Noel a infância pobre em Manchester, os dois melhores discos de rock dos anos 90, compostos por ele – Definitely Maybe (1994) e What’s the Story (Morning Glory?) (1995) –, além do casal de filhos pequenos que tem agora.

Dig Out Your Soul chega às lojas no dia 6, mas na sexta-feira estará na internet (myspace.com/oasis) para audição gratuita. Já foi apelidado de Doys pelo fãs e, assim como o trabalho anterior, Don’t Believe the Truth (2005), é um grande disco de rock, mas um disco de quem trocou um pack de Carlsberg quente pelo chá das cinco. Sem açúcar.

Com esforço, pode-se perceber ecos do frescor dos primeiros discos – a magia que fez jovens em todo o mundo largar um emprego operário para montar uma banda, que fez estes mesmos jovens se orgulharem de ser hooligans como o vocalista Liam Gallagher, diante do aborrecido mundo politicamente correto que até cerveja nos estádios proibiu. Esses resquícios estão nas duas canções que abrem o disco, Bag It Up e The Turning, além do primeiro single, The Shock of The Lightning – as três cantadas por Liam. Desde que a verve de Noel secou, é Liam a força motriz da banda. E até nas baladas, terreno sempre exclusivo do irmão mais talentoso, Liam agora se mete. Na bela I’m Outta Time, o vocalista deixa transparecer sua admiração, que agora já beira a obsessão, por John Lennon. O resultado é que o Oasis não pode mais ser acusado de copiar os Beatles. Copia Lennon. A outra balada de Doys é cantada por Noel. Faixa queimada na metade do disco, Falling Down inaugura uma seqüência pouco criativa que vai até o final. O álbum vale pela primeira metade – o suficiente para Doys entrar fácil na lista dos melhores álbuns do ano e nos fornecer, por fim, a terceira lição do manual de sobrevivência no rock’n’roll de Noel Gallagher: não se pode ter 18 anos para sempre. Mas vale a pena morrer tentando. Novo disco do Oasis poderá ser ouvido gratuitamente na sexta-feira

GABRIEL BRUST
Dig out your soul
Oasis
Rock, Sony&BMG, 11 músicas, lançamento: 6/10
ZERO HORA.com
Ouça Boy With The Blues, canção inédita que está no CD bônus que acompanha a versão Deluxe do Dig Out Your Soul

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