Confira os profissionais que assinam os projetos desta edição do caderno Casa&Cia
Material curinga está presente em áreas da Mostra Casa&Cia Praia
– Ele era gostosinho, carinhoso e romântico.
Não foi exatamente nesses termos que o Partido Republicano apresentou o senador John McCain como seu candidato à presidência dos Estados Unidos este ano. Mas é assim que se refere a ele Maria Gracinda Teixeira de Jesus, 77 anos, ex-modelo e bailarina que diz ter vivido um romance tórrido com o então tenente McCain, em 1957, no Rio de Janeiro.
Encontrada pela rede de TV americana ABC News, ela confirmou ser a namorada a que McCain se refere em livro. Ainda assim, não apresentou provas que corroborem sua história.
Apesar da idade, Maria Gracinda conserva a beleza da época em que foi Rainha do Comércio do Rio de 1949, com apenas 17 anos, e candidata a Miss Distrito Federal de 1954. O encontro com McCain teria ocorrido três anos depois. A modelo costumava almoçar nos navios estrangeiros que atracavam na Praça Mauá.
Maria Gracinda conta que conheceu McCain num almoço no navio português Vera
Cruz, ancorado na Praça Mauá, mas não revela
detalhes de como os dois se envolveram. Ela tinha um Cadillac Eldorado conversível azul-turquesa, e teria ido algumas vezes à Barra da Tijuca com o americano. Segundo relata, McCain também ia para sua casa. Conta ainda que os dois teriam feito sexo.
– Ele era uma graça, um amor de pessoa, adorava passear comigo. Foi um amor grande, mas aí ele viajou e acabou. Do contrário poderia estar com ele até hoje. Escreveu muitas cartas amorosas para mim, e eu também escrevia, mas, como não falava bem inglês, tinha um professor que fazia isso para mim. Dele eu nunca vou esquecer, mas imaginar que ia escrever um livro e falar de mim, jamais – diz.
Ex-modelo diz que chamava McCain de "doce de coco"
Os pais de Maria Gracinda eram portugueses e morreram cedo, o que a tornou independente desde jovem. Segundo ela, sua situação financeira na época era boa e chegou a viajar por toda a Europa como modelo. Casou-se quatro vezes, mas nunca teve
filhos. Seu nível de vida, no entanto, piorou
depois que perdeu seu patrimônio num jogo de pôquer. Há mais de 20 anos, mora numa casa humilde em Magé, região metropolitana do Rio.
McCain, conforme ela, não usava apelido e preferia chamá-la pelo nome. Mas gostava de tratá-lo de "John, meu querido e meu doce de coco".
– Ele beijava muito bem – garante.
McCain, em seu livro de memórias, Fé dos Meus Pais, publicado em 1999, conta a história da namorada brasileira, da época em que esteve no Rio, com um toque de conto de fadas à americana. Em vez do Cadillac, o carro de seu amor brasileiro era um Mercedes. O local do primeiro encontro também não seria o navio português, mas uma badalada festa no Pão de Açúcar, com a alta sociedade.
"Nós dançamos no terraço admirando a paisagem da baía até 1h, quando eu senti que a sua bochecha estava úmida. ‘Qual o problema?’, perguntei. ‘Nunca mais vou vê-lo novamente’, ela retrucou. Eu disse a ela que estaria na cidade por mais oito dias e ficaria
com ela o tempo que ela quisesse. Mas ela
rejeitou, dizendo: ‘Não, eu não posso vê-lo nunca mais’", relata um trecho do livro.
Indagada sobre o que faria se fosse primeira-dama, ela disse que não se intrometeria em assuntos políticos.
– Não gosto de política, ia cuidar de bichos, de crianças e idosos. E ficar de olho no John sempre. Ter ciúmes daquele homem é uma coisa normal – afirma ela, que diz não ter namorado.
Hoje, tem certeza de que as lembranças também estão vivas na memória do candidato republicano:
– Para ele marcou e para mim também, mas passou. Torço para que ele ganhe. Se ele for eleito, o que eu posso fazer, se ele agora está casado? Nem me reconheceria. Deve estar feliz por lá. Mas vou mandar um telegrama assinado "Seu grande amor do Brasil".
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