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10 de setembro de 2008 | N° 15722AlertaVoltar para a edição de hoje

Cidadão do mundo

Mercado amplia gradativamente as vagas para os internacionalistas

Vários cursos em um só. Quem pretende cursar Relações Internacionais terá pela frente aulas com disciplinas que cercam diversas áreas do conhecimento. Desde política nacional e internacional, até direito e economia. Claro, passando ainda por muitas aulas de línguas estrangeiras. A abrangência no currículo começa agora a se refletir no mercado de trabalho, que pouco a pouco aumenta o espaço para os profissionais. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) formou sua primeira turma em dezembro de 2007. E já colhe bons frutos.

– Teve um concurso para a Eletrobras há pouco tempo. Dos cinco primeiros colocados quatro eram formados aqui – fala o coordenador do curso Paulo Visentini.

Segundo Visentini, o mercado amplia gradativamente as vagas para os internacionalistas. Por enquanto, a maior fatia está no setor público, já que prefeituras e governos abrem espaço para departamentos internacionais, sempre de olho em boas oportunidades econômicas além das fronteiras brasileiras. Outro espaço são as entidades de classe, como federações e associações, que já percebem a necessidade de ter no quadro funcionários especializados em assuntos internacionais.

Como a área de atuação é ampla, a função do internacionalista pode variar muito de lugar para lugar. Normalmente, ele costuma ser responsável por questões estratégicas, como desenho de cenários futuros. Um exemplo seriam os estudos energéticos, preocupação mundial com o aumento no preço do petróleo. Nesse assunto, o internacionalista ajudaria a traçar que caminhos serão seguidos pelas energias alternativas, tentando mapear as oportunidades de negócios na economia global e ajudando empresas a se internacionalizarem na área.

Mesmo com as oportunidades aparecendo em vários setores da economia, a diplomacia continua sendo um dos sonhos mais comuns entre os estudantes de Relações Internacionais. Para entrar nessa área, não basta o diploma de RI em mãos. É preciso ingressar no Instituto Rio Branco – escola de Brasília responsável em formar os diplomatas brasileiros.

É o que pretende Bibiana Camargo, que se formou na primeira turma da UFRGS. Ela foi para Brasília em março em busca de um cursinho para continuar a preparação do concurso para o Instituto Rio Branco. Mantêm a meta, mas agora também trabalha como assessora legislativa na Câmara dos Deputados. E já coloca em prática o que aprendeu na faculdade.

– O deputado atua na comissão do Parlamento do Mercosul. Tem muito a ver comigo, já que cuida de questões internacionais. Agora, a comissão estuda a estrutura desse parlamento. Por isso, consigo colocar em prática muito do que aprendi na faculdade – conta.

Ênfase de negócios

A Escola Superior de Propaganda de Marketing (ESPM) iniciou o curso de Relações Internacionais, em Porto Alegre, buscando um diferencial: a ênfase nos negócios. O estudante é preparado para atuar na chamada diplomacia corporativa, o meio campo do mundo dos negócios.

Em um exemplo prático, quem se formar pela ESPM terá sido treinado para auxiliar na internacionalização de uma empresa. Seja uma corporação brasileira buscando espaço no Exterior, seja uma empresa de fora tentando abocanhar uma fatia no mercado nacional. A idéia é fazer a ponte entre os mundos.

– A maioria dos alunos está no curso pensando na carreira corporativa, mas também temos estudantes que querem a carreira na diplomacia ou acadêmica – fala o diretor do curso da ESPM Sérgio Wollmann.


daniel.cardoso@zerohora.com.br

DANIEL CARDOSO
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