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Eles não são a estrela da campanha e dificilmente são levados em conta pelo eleitor na hora de decidir o voto. Mas os candidatos a vice podem surpreender mais tarde. Nesta eleição, Porto Alegre tem oito concorrentes a vice-prefeito. A partir de 1º de janeiro, um deles irá influenciar o futuro da cidade.
Os últimos anos na política brasileira têm revelado perfis diversos na turma dos substitutos. João Verle foi um vice e um prefeito discreto. Em 2002, um ano e três meses após a chegada de Tarso Genro ao Paço Municipal, Porto Alegre assistiu à posse de Verle como prefeito. O até então vice era um petista sem o brilho do titular, que havia obtido 63,5% dos votos no segundo turno da eleição de 2000. Tarso renunciou ao cargo para uma briga maior: concorrer a governador. Deixou em seu lugar um economista que, apesar de ter sido vereador, era reconhecido como quadro técnico da legenda. Verle entregou a prefeitura para José Fogaça (então no PPS e hoje no PMDB) em janeiro de 2005 sem alterar o
perfil
retraído.
Mas há vices polêmicos. Substituto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a posse em 2003, José Alencar (PRB) provocou dor de cabeça à equipe econômica do governo federal durante o primeiro mandato. Grande empresário do setor têxtil, o vice causava abalos no Palácio do Planalto cada vez que criticava a taxa de juros.
O comportamento de Alencar, porém, não rivaliza com o de Paulo Afonso Feijó (DEM). Já durante a campanha eleitoral em 2006, o vice-governador entrou numa rixa sem fim com a titular, Yeda Crusius. Em um ano e meio no Palacinho, Feijó já fez de tudo: oposição ao pacote de aumento de impostos elaborado pelo Palácio Piratini, denúncia contra supostas irregularidades no Banrisul e até gravação de conversa com um secretário estadual.
Já o antecessor de Feijó, Antonio Hohlfeldt (PMDB), surpreendeu o então governador Germano Rigotto (PMDB) em apenas uma oportunidade. Até outubro de 2005, Hohlfeldt era um vice que se esforçava
para tocar a Consulta Popular, um
programa desnutrido pela falta de recursos, e não causava qualquer trepidação na administração contemporizadora do titular.
Dos candidatos, apenas um já viveu a experiência de ser vice
No dia 2 de outubro daquele ano, Rigotto estava em Santa Catarina e o vice era o governador em exercício quando estourou uma briga entre torcedores e brigadianos numa partida entre Inter e Fluminense no Beira-Rio. Hohlfeldt não hesitou em anunciar pelo rádio o afastamento do comandante da operação que terminou em tumulto. A iniciativa lhe rendeu elogios. Três dias depois, Rigotto desistiu de embarcar para uma viagem aos Estados Unidos, onde participaria de cerimônia de entrega do Prêmio Personalidades do Ano ao empresário Jorge Gerdau Johannpeter, em Nova York.
Entre os oito candidatos a vice na Capital, apenas um já viveu a experiência do cargo. José Fortunati foi substituto do petista Raul Pont entre 1997 e 2000. Na época, Fortunati estava no PT e
esperava ser o candidato natural da legenda a
prefeito. Era uma tradição na sigla oferecer ao vice a possibilidade de disputar na cabeça-de-chapa. Numa prévia, porém, Fortunati foi derrotado por Tarso, que se tornou candidato do partido, ganhou o pleito de 2000 e renunciou ao cargo em 2002.
– Eu renunciei ao mandato de deputado federal para concorrer a vice em 1996. Planejei me preparar para ser o próximo prefeito na época, mas Tarso me puxou o tapete – lembra o candidato.
Em 2002, Fortunati foi buscar abrigo no PDT, onde está até hoje. Para ele, um vice-prefeito tem de ter posições próprias, mas não pode esquecer que faz parte de uma administração:
– A gente brigava muito internamente. Eu quebrava o pau com o Raul, mas, depois de decidido, publicamente eu assumia a posição do governo.
leandro.fontoura@zerohora.com.br
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